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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

LEÃO


Desde que o sol ingressou em leão no dia 23, sinto-me muito mais viva, mais confiante, inspirada e com arrebatamentos. Ando armada em mulher fatal na vestimenta e estou voltada para o coração. A paixão renasceu em mim e uma vontade de escrever, escrever, escrever. Eu que não tenho jeito para a poesia, já escrevi mais poemas esta semana do que em um ano, transformei textos em poesia , ridícula, sem dúvida, mas tenho de deixar dar largas ao coração e à imaginação. Sem pretensões, apenas por prazer.
Tenho um amigo que também é leão e também ele anda assim, divertido, inspirado e a rugir.
Este é o período do coração e da sensualidade para os leoninos. Aproveitemos.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

NOVIDADE



Notícia que não poderia deixar de passar aqui, a banda do meu filho foi escolhida para actuar num concerto, como banda secundária, claro. Será o seu primeiro concerto, em Setembro, em data ainda não definida, na cidade de Lisboa. Ele tem trabalhado muito as técnicas de respiração e afinação da voz e ensina-me. Está muito empolgado. Eu, como não poderia deixar de ser, estou feliz, ansiosa e orgulhosa. Já tenho prometido um lugar de honra, nem podia ser por menos!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

...

Para onde vamos? - VII
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Não sei esperar! Consumo o tempo todo numa espera que sei vã e, ainda assim, posso dizê-lo: não sei esperar por aquilo que, sei, nunca chegará! Nunca soube esperar no escuro! Tenho em mim um formigueiro que me atravessa a alma com passinhos lentos, marcha certinha, como se me estivesse a picotar, a caminhar para o purgatório.
Esta manhã disse: estou descrente. Com a calma das manhãs claras de sol, em que abro as janelas e me comprometo a viver com prazer. Respirei fundo. Arranjei-me como quem arranja um ramo de flores numa jarra e saí para a vida.
Ontem tomei decisões mas não fiz promessas. Não posso prometer às estrelas aquilo que não tenho para lhes dar. Mas posso partir, na esperânça de me encontrar com elas. Porque estou descrente e acredito...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A CANTAROLAR

Esta é minha, tirada lá na minha terra.
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"Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!" - João Pereira Coutinho, jornalista.

Há muitos anos que não sentia a felicidade como hoje a sinto.
- Eras tu que andavas a cantarolar?- Perguntou-me a amiga e colega do escritório.
- Sim.- Respondi.- Faço-o inconscientemente! Desculpa se te perturba.
- Não.- Disse ela.- Eu gosto, até abro a porta do meu gabinete para te ouvir. Cantas mal, mas dá prazer ouvir-te, sentir essa alegria de viver!... Há muito que não sei o que isso é. Nem sei se alguma vez soube verdadeiramente! Vivo quase sempre tão angustiada!...
Eu não! Mesmo quando as coisas correm muito mal, encontro sempre algo que me alegre, que me ponha os olhos a brilhar. E até sei muito bem disfarçar sorrisos e tocar o burro para a frente quando o burro sou eu e a porrada me cai no lombo.
Mas ando mesmo feliz. Sempre disse que o amor me faz falta, não um amor qualquer, mas um amor que se entranhe e respire por todos os poros. Sempre disse que o amor torna a vida mais bonita e faz das pessoas mais pessoas. Um amor que nos faça acordar a sorrir e nos ponha a cantarolar até no local de trabalho.
Ontem apresentei o meu namorado ao meu filho. foi um momento estranho e engraçada. Desde que me separei, já tive alguns casos e alguns namorados, mas foi o primeiro do qual dei conhecimento ao meu filho.

Cerca da 1H00 da manhã estavamos nós na praia, só havia um bar aberto e meia duzia de pescadores, a noite estava escura mas bonita. Ele abriu a porta do carro, aumentou o som do aparelho e dançamos. Melhor dizendo, esteve a ensinar-me a dançar kizomba. Não aprendi, mas foi um fartote de riso. Divertimo-nos muito. Possivelmente os pescadores estariam a pensar que ou eramos loucos ou apaixonados, ou ambas as coisas!

O amor acresce vida à minha vida. Faz das minhas fragilidades força. Rejuvenesce-me. Reforça todas as minhas capacidades. Faz-me rir. Põe-me tola e infantil. O amor dá-me encanto e felicidade. Não é apenas o amor que me dá felicidade, mas o amor permite-me ver todas as outras coisas e todas as outras felicidades mais intensamente. O amor ajuda-me a valorizar os bens, as pessoas e os acontecimentos, a ver, a sentir e a viver, nas diferentes perpectivas, dos diferentes angulos, da superficie ao mais fundo dos canais.
Sinto gratidão por este amor inesperado, inexplicável e maravilhoso que me tem vindo a acontecer!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

EM FRENTE




Já estou em casa. Depois de dez dias maravilhosos e de uma longa viagem sempre dentro de um intenso nevoeiro. Só amanhã é que vou ver o meu filho. E ainda não sei quando vou ver o meu amor, pois vinha eu para baixo e ia ele para cima. Já tenho muitas saudades de ambos.
Tirei fotos maravilhosas. Digo eu, que sou suspeita! Estive a fazer um petisco com folar, queijo de ovelha, presunto, salpicão, milho doce e vinho verde (sozinha, enfim!... melhor do que mal acompanhada), enquanto via o filme "As Horas.". Gostei muito, do petisco e do filme. Ora, há cerca de dois meses, fui fazer um trabalho na baixa de Lisboa e, como sempre, aproveitei para entrar num alfarrabista. Por acaso, comprei o livro "As Horas" de Michael Cunningham, que não cheguei a ler e que tenho emprestado. Certo é que, depois de ter visto o filme, fiquei em pulgas para ler o livro. Mas são tantos os livros que tenho para ler! É que, tenho por hábito, desde miúda, comprar livros. Sucede que, actualmente, não disponho de muito tempo para dedicar à leitura. Este Natal ofereceram-me esses três aí acima. Por qual comecar?

Sinto uma profunda tranquilidade! No primeiro dia do ano acordei com um sorriso desenhado no rosto, um bem-estar maravilhoso e uma serenidade perfeita (e não tinha ressaca!!!)! Hoje fiz a viagem de rajada, só demorei cinco horas e dois minutos, com paragem em Aveiras para comer, passear o cão e fumar um cigarrito. sempre a sonhar e a sorrir. E ao contrário do que é habitual, estou com vontade de iniciar o trabalho!

Agora vou com o meu tobias à rua. Está um nevoeiro de cortar à dentada, mas tem de ser. Depois vou beber mais um copito, ver mais um filme, porque é a última noite de férias que tenho para desfrutar.
"É preciso encarar a vida de frente." Mas não para depois se poder por de lado. Mas sim para se poder viver com prazer..

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

POR TERRAS TRANSMONTANAS




Está um frio de rachar, parece que o mundo inteiro se uniu pra'me... acalmar! Só falta a neve. Tenho a família - não é toda, mas aquece - tenho o meu Tobias, já tive cá o meu amor e tenho estas paisagens maravilhosas. Olhando para toda esta beleza, só posso dizer que Deus passou por aqui. E digo eu, que nem sequer acredito em Deus!

Se não voltar ao blog durante as férias, deixo os meus votos de umas felizes entradas em 2011, de um ano Grande e cheio de alegria e amor para todos. A todos o meu obrigada pelo carinho que me têm demonstrado. Beijinhos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

HÁ COISAS QUE NOS DESPERTAM


Hoje não é um dia qualquer. Hoje não é uma data especial, pelo menos para mim. Mas hoje, melhor dizendo, esta noite, por razões que amanhã explicarei se tiver tempo, porque amanhã à tardinha, melhor dizendo hoje parto para Sintra e só regresso domingo à tarde, só me apetece dizer: amem intensamente, como se fosse o último dia, porque nunca sabemos quando é que o amor tem morte súbita, ou nós finamos.
Estou de regresso à música, muita música, música muito maluca, música de todos os tons. Estou de regresso a mim. Não espero nada de especial desta vida, apenas um dia de cada vez e que cada dia vibre de uma ou de outra forma, por esta ou por aquela razão.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

COISAS QUE ACONTECEM


O romance vai de vento em popa. O trabalho corre com sucesso. A relação com o filho está excepcionalmente boa. Sinto-me em forma. Tenho a auto-estima nos píncaros. Daí que, decidi arranjar os dentes. Comecei por endireitar os da frente. Depois por limpar e branquear. Quando tudo corre bem, temos destas coisas. Não basta correr bem, queremos mais. Não basta parecer elegante, é necessário sê-lo, se for possível. Por isso, já agora, o Sô Dôtor, tenho aqui uns molares partidos, não me dóiem, mas gostava que mos reconstituísse, para ficar com a boca mais bonitinha. OK. RX à direita, RX à esquerda, brocas, agulhas, anestesia e por fim diz-me que não tinha como os reconstituir, tinha de fazer coroas de porcelana. E quanto é que isso custa Sô Dôtor? € 600,00 cada uma, a que acresce as desvitalizações, e outras coisas que tais. OK, já não há nada a fazer, pois não? Não quero ficar com estes buracos na boca! Pois não! De maneira que, ontem não me doía nada, estava encantada com os progressos no sorriso e tinha dinheiro, hoje estou cheia de dores, toda esburaca e amanhã não terei dinheiro! Sempre ouvi dizer que a vaidade nos pode levar á falência. A mim levou-me ao dentista. E o dentista levar-me-á à falência!
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Derezzed - Daftpunk - "Tron Legacy"

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A VIDA ACONTECE


Estive a ver o filme "Melhor É Impossível". Já o vi muitas vezes, mas é um daqueles filmes que mexe tudo cá por dentro, não resisto! Adoro as cenas com o cão, são fascinantes! Adoro a simplicidade da actriz principal! Adoro o rapaz gay por aquilo que representa! E adoro o louco do actor principal! Três grandes actores! Basta dizer que o meu filme preferido é "Voando Sobre Um Ninho de Cucos", que admiro incondicionalmente o filme "Alfie" e que já vi vezes sem conta o filme "Tornado".

"Faz-me um elogio, agora, porque preciso dele agora. É agora ou nunca." Pede ela. E ele diz-lhe "Você faz com que eu queira ser um homem melhor."

"Porque é que eu não posso ter um namorado normal?" Pergunta ela. E a mãe responde à socapa "Todas as mulheres querem isso. Mas isso não existe."

"Vives com franqueza e sinceridade. E só eu vejo isso. E isso faz-me sentir bem comigo próprio." - Foi a declaração de amor dele. Belissíma!

É por estas pequenas coisas que o acho um filme extraordinário.

Ás vezes penso que a minha vida também é um filme. Ou parece um filme!

Um destes dias, ele disse-me: "Adorei conhecer-te. Cada vez gosto mais de ti. Obrigada por existires."
Sem disfarçar a emoção, respondi: "Eu é que agradeço, por trazeres o sol, todos os dias, aos meus dias."

Na sexta-feira jantamos em Belém e quando saíamos do restaurante a rir, ele confessou-me indirectamente: "Contei ao meu amigo que nunca senti com mulher nenhuma o que tu me fazes sentir." Eu fingi não ligar muito às palavras e menti quando fiquei em silêncio.

Ontem acordei sozinha na cama dele. Sozinha porque ele tinha ido trabalhar. Estava um dia claro e quente. Decidi fazer-me à estrada. Antes disso, escrevi-lhe um bilhete ridículo que deixei sobre a mesa da cozinha.
"Adorei tudo. Obrigada pelos momentos maravilhosos. Ligo-te logo. Beijos doces."
Deixei-me seguir estrada fora pelos sítios onde passamos habitualmente, na zona de Sintra, e parei numa aldeia. Sentei-me numa esplanada. O sol no rosto e a vida a sorrir-me! Tinha uma igreja em frente a mim e sobrava-me um quarto da manhã. Peguei no telefone e liguei-lhe. Ele pediu-me para voltar. E eu voltei.

Fiquei a olhar para o sorriso encantador que fez quando leu o meu bilhete deixado sobre a mesa da cozinha.

Ao fim do dia ele partiu para C. B. e eu acenei-lhe com a mão e saudades nos dedos.

Ás vezes, a nossa vida também é um filme. Ou assemelha-se a um filme!


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A VIDA


O rapaz do sorriso encantador partiu agora para norte, com a promessa de voltar na terça-feira à noite. O rapaz do sorriso encantador passou a fazer parte dos meus dias. Até nas segundas e terças-feiras em que está distante. Agora eu também tenho um sorriso sempre presente no rosto. Não sei se é um sorriso encantador. Mas o meu filho ontem deu-me beijos e hoje voltou a dar-me beijos, sem que eu lhos solicitasse! Perguntei-lhe a razão e ele disse-me: "Tem de ser mãe, e até te dou mais se quiseres. É que tu andas tão querida! Tão amorosa! Penso que estás apaixonada!" Eu nem soube o que dizer! Ri-me. Eu não sei se estou apaixonada! O que eu sei é que tenho vivido dias maravilhosos. Desde que conheci o rapaz do sorriso encantador nunca mais nos separamos e eu nunca mais parei de sorrir! Penso que ele tem um sorriso contagiante. Estou a viver um dia de cada vez, intensamente.

Deixo um poema de Dietrich Bonhoeffer
A VIDA

A vida é uma oportunidade, aproveite-a
A vida é beleza, admire-a
A vida é felicidade, deguste-a
A vida é um sonho, torne-o realidade
A vida é um desafio, enfrente-o
A vida é um dever, cumpra-o
A vida é um jogo, jogue-o
A vida é preciosa, cuide dela
A vida é uma riqueza, conserve-a
A vida é amor, goze-o
A vida é um mistério, descubra-o
A vida é promessa, cumpra-a
A vida é tristeza, supere-a
A vida é um hino, cante-o
A vida é uma luta, aceite-a
A vida é aventura, arrisque-a
A vida é alegria, mereça-a
A vida é vida, defenda-a.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A CONTAR HISTÓRIAS

Durante muito tempo ela sonhou com um rapaz da Serra da Estrela. Muitas vezes pediu a Deus que lho enviasse. Deus andou pela Serra da Estrela e à volta dela, à procura do rapaz. Ela não sabe, nem entende porquê, mas Deus enganou-se! Enviou-lhe um rapaz que encontrou por lá, mas que não era o rapaz dos seus sonhos. Para remediar a situação, Deus deu ao rapaz enviado muitas das caracteristicas idealizadas pela rapariga.
Com um sorriso ofegante e promissor, esta noite o rapaz disse à rapariga : Cheguei. Vim mais cedo, a toda a velocidade, para poder estar contigo. Receei não te encontrar!
Ela pestanejou e do seu olhar rairam luzes: Estou feliz por teres chegado, assim tão inesperadamente! Receei que te perdesses no caminho!
Desceram, em vertigem silenciosa, de mãos entrelaçadas, pela areia abaixo e quedaram-se rente ao mar que sussurrava no escuro. Nublado o céu, apenas uma estrela grande e brilhante. É Marte. Disse-lhe ela. está sempre presente, maior que as outras, até quando as outras se escondem. Digo-te que é Marte porque o sei. Acredito, se tu o dizes. Disse ele num fio de voz. E eu digo-te que aquelas luzes lá ao longe são o Palácio da Pena. Sei-o porque o conheço bem. E se olharmos um pouco mais para baixo está lá a minha casa, ali, vês? A casa dele e Marte foram instantes próximos, quase vizinhos, no jardim de um palácio.
Os dois deixaram-se escorregar num abraço forte, os corações a bateram em uníssono. Dissipados os receios, afagaram as almas mutuamente, perto do pirilampo de um pescador nocturno que lhes acenava com gratidão pela companhia.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

MOMENTOS ESPECIAIS


Ele disse-me:
- Aprendi que não encontramos a felicidade nas expectativas que criamos para a nossa vida, mas sim nas coisas que nos acontecem e que podemos viver. E há coisas que nos acontecem e que sentimos que não é por acaso que nos acontecem e é imperativo que as vivamos. Nisto consiste a felicidade. Durante muito tempo fui guardando coisas para usar ou consumir em determinados dias. O certo é que nunca as usei ou consumi porque os dias esperados nunca aconteceram ou aconteceram de forma diversa das minhas expectativas. Percebi que podia estar a fazer da minha casa um museu de coisas boas desperdiçadas e da minha vida uma estação de esperas. Aprendi a não planear a longo prazo. Que os momentos maravilhosos que a vida nos oferece, ainda que possam ser breves, são a única felicidade palpável. Hoje estou feliz por me ter cruzado contigo e por poder estar aqui contigo. Por isso, hoje não queria estar em mais lugar nenhum, senão aqui contigo.
Retirou uma peça do seu museu e partilhou-a comigo.
Há pequenos momentos em que nós pessoas nos tornamos grandes!

domingo, 12 de setembro de 2010

COISAS QUE ACONTECEM


Conforme prometido, na quarta-feira, o rapaz do sorriso encantador ligou-me. Disse que estava de férias. Fomos tomar um café nesse mesmo dia. No dia a seguir voltou a ligar-me. Fomos beber um copo ao bar da minha amiga. No dia seguinte ligou-me várias vezes e fomos jantar. Nunca mais nos largamos! O rapaz do sorriso encantador é um homem deslumbrante. Agora mesmo ele partiu para o norte e só volta na terça à noite. Perguntou se me pode ligar na quarta-feira. É possível que ele nem se lembre de ligar. É possível que isto tenha sido um sonho, do qual nem apetece acordar. Cada minuto valeu três dias, uma vida! Nunca pensei que isto me acontecesse! Há sonhos maravilhosos, não há!?
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Fresh feeling - Eels

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

COISAS PARVAS

Foto: Pôr-do-sol transmontano
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A minha amiga diz que nada acontece por acaso e acredita que não há cíncidências. Na verdade a vida é um jogo de acasos onde as coincidências estão sempre a acontecer.
O recinto da festa do avante é enorme e há milhares de pessoas aqui e ali e de um lado para o outro. Existem vários palcos onde actuam os grupos mais conhecidos e cada barraca ou restaurante representativo de uma região tem o seu próprio palco onde, ao longo da noite vão actuando grupos, a maioria deles são populares e bem divertidos. E há sempre um pézinho de dança. A probabilidade de nos cruzarmos com uma pessoa mais do que uma vez é muitissimo reduzida. E é interessante andar a saltitar, pela diversidade de costumes e música.
Na noite de sexta-feira, enquanto eu abanava o corpo ao som de música escocesa, tocada por um grupo de malta no meio de um relavado, notei um rapaz que me olhava fixamente com um sorriso encantador. Mas ali, isso é o prato do dia. O certo é que, por acaso acabei por me cruzar com o mesmo rapaz várias vezes em locais diferentes. E lá estava o mesmo sorriso encantador!
Na noite de sábado, já nem me lembrava do rapaz e do seu sorriso encantador, quando, subitamente esbarrei com os seus dentes branquissimos, brilho pepsodente, entre uns lábios bonitos e rasgados de orelha a orelha. "Perdão" disse eu. Foi sem querer, fui empurrada por meia dúzia de pessoas e pelo destino - pensei. Ele ajeitou os óculos e seguiu por entre a multidão de pescoço voltado para trás, até desaparecer. E não mais tive o privilégio de ver aquele sorriso cintilante, do qual, diga-se, acabei por me esquecer.
O domingo é sempre o dia menos interessante, a noite acaba às 24H00 e depois é o dispersar. Além de que os grupos populares já são poucos e as alternativas são em menor número. Todavia, continua a ser um mar de gente. Já eram umas 23H00, quando passou por mim o rapaz do sorriso encantador. Trocamos um olá apressado e ele foi levado por uma quantidade de pessoas que passavam aos empurrões. Ainda vi a mão dele no ar a acenar-me, mas depois desapareceu. Acabou por voltar uns minutos a seguir. Perguntou se podia falar comigo. Sentamo-nos numa mesa enquanto os meus amigos permaneciam no balcão da tasca, a beberem um copo com os olhos cravados em nós. Depois da formal apresentação disse-me:
- Estava farto de andar às voltas na expectiva de te voltar a encontrar. Já tinha perdido a esperança! É que estou mesmo a ir-me embora, ainda tenho de ir hoje para o Norte. - Blá, blá, blá, isto e aquilo, daqui e dali - Vivo em Lisboa mas trabalho em Castelo Branco às segundas e terças-feiras, para onde sigo agora.
- Ah! Boa terra, boa terra! - Foi o que me ocorreu dizer!
- Mas venho a casa todas as quartas-feiras e também passo cá os fins-de-semana. Posso ligar-te na quarta-feira? - Continuou.
Quando voltei para junto dos outros o meu amigo comentou:
- Eu não acredito que lhe deste o número de telefone!
- Dei. A vida são três dias e hoje pode ser o último deles. Sou livre, disponível e já não tenho nada a perder. Aquele sorriso encantou-me!
- O homem estava babado! Havias de ver o cenário daqui! - Comentou a minha amiga. - Estava!... Que dentes! E que sorriso!
- Que parva! Não percebeste que ele só quer uma coisa: comer-te. Via-se na cara! Além disso é capaz de ser um bocado mais novo do que tu. - Disse o meu amigo.
- Que parvo! Que imbecil que tu me saíste! Olha que tu também és um bocado mais novo do que eu e isso não te incomoda, pois há muito que sonhas comer-me. - Respondi. - O ciúme é uma coisa feia!
- Ao menos a mim já me conheces! - Disse ele num suspiro.
- Pois já! Por isso mesmo! Aquilo que não se conhece ainda se pode sonhar, por isso é sempre mais apetecível. - Conclui. - Possívelmente ele vai-se esquecer de telefonar. Mas como diz a minha amiga (a outra), estas coisas fazem-nos muito bem ao ego! Além de que as coíncidências, por vezes, fascinam-me!
Nisto tocou o meu telefone.
- O filha da mãe não perde tempo! - Pigarreou o meu amigo.

domingo, 5 de setembro de 2010

A FESTA CONTINUA

Foto: Pôr-do-sol transmontano
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Os putos ainda dormem. Devem ter vindo para casa já de madrugada. São fascinantes! Estão a viver dias de liberdade e prazer, o que para eles é a felicidade pura. Daqui a pouco ouço o meu filho gritar "Mãe, temos fome, o que é o almoço?" Depois vêm todos desgrenhados, cada qual com os cabelos mais compridos do que o outro, sentam-se á mesa, comem como lobos e dizem centenas de disparates. Eu sento-me com eles e aproveito para ser adolescente por duas horas. Ontem percebi que três deles têm gostos musicais muito semelhantes aos meus. Aproveitei para trocar ideias e pu-los a ouvir Black Keys, Arcade Fire e Ra Ra Riot, que eles não conheciam. Quando pus o "Too afraid to love you" dos Black Keys", um deles mandou calar toda a gente e apaixonou-se de imediato. Acabei a gravar-lhe o cd.

Para mim também estão a ser dias maravilhosos. Comecei com a festa das vindimas em Palmela na noite de quinta-feira. Tenho uma dor de pés que parece que fui a Fátima a pé! A festa do Avante tem sido uma maluqueira! Este ano, melhor do que nunca, tenho andado pelas tascas e palcos do Alentejo, Vila real e Braga, bem como o dos DJ's, alternando com o café Concerto e o auditório do Jazz (das 18H00 às 3H30). Doer, doer, vai ser amanhã, o regresso ao trabalho, no duro! E o regresso a casa, para ficar e por tudo em ordem. Vou aproveitar o último dia e noite da festa mais anti-comunista do país.
...

Aqui fica um poema de que gosto muito:

CANÇÃO DA MAIS ALTA TORRE

Que venha, que venha
O tempo da apanha.

Eu esperei tanto
Que tudo esqueci.
As raivas, o pranto
Acabam-se aqui.
E uma sede langue
Escurece-me o sangue.

Que venha, que venha
O tempo da apanha.

Como o descampado
De flores de abandono
Coberto, deixado
Ao incenso e ao sono,
Para voos atrozes
De moscas ferozes.

Que venha, que venha
O tempo da apanha.

Arthur Rimbaud em Uma Época No Inferno

sábado, 4 de setembro de 2010

PORQUE OLHAS O CÉU?


Vim a casa preparar comida para os putos, eles destrinçam tudo o que encontram mas, por incrível que pareça, puseram as coisas mais ou menos em ordem! Que alívio!

O meu amigo vive numa pequena quinta junto à serra da arrábida. Tem árvores de fruto, galinhas, cães e gatos. Tem duas pessoas que, pela manhã lhe cuidam do pomar, da horta e dos animais e, à noite, tem a lua sobre o telhado.
O acesso à quinta é um caminho de terra. Eram quatro horas da madrugada quando chegamos a casa. A noite ali é imensa. Não há carros a passar, nem pessoas, apenas o barulho dos cães e dos grilos, e o cântico histérico de um galo que gosta de se fazer ouvir. Ele agarrou em duas cadeiras que colocou debaixo de uma tangerineira. Sentamo-nos de frente para a lua. O gelo tilintava nos copos e os cigarros ardiam nos dedos.
- Gostas tanto de olhar o céu, este é o céu que te ofereço hoje. - Disse-me ele.
Por momentos fiquei sem palavras. Não é fácil descrever a beleza de um momento.
- Que procuras tu no céu se o que te pode fazer feliz está na terra? - Perguntou.
Antes que eu pudesse responder, a gata subiu-me para o colo e, de um momento para o outro mordeu-me a mão e arranhou-me um braço. Aquela gata nunca gostou de mim!
...

Deixo uns poemas cuja autoria desconheço:

O ladrão
deixou-me
a lua na janela.

...

A sombra (fado)

se a noite escura demora
cativa dentro do peito

pressinto quando me deito
a voz de alguém
que hoje não vem
e mora em mim a toda a hora
falando grave e escondida
por entre as coisas reais
suspende a força da vida
e não é ninguém: ah, não é ninguém
somente sombra e nada mais
porém a voz que se ouvia
morre com a noite no cais
e o sol agora me alumia.
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Dreaming of you - The Coral

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A VIDA SÃO TRÊS DIAS.


Vou andar por aqui estes dias.

Acamparam cinco adolescentes na minha casa. Eu acampei na casa de um amigo. Vim fazer-lhes o farnel e deparei com a cozinha em puro estado de apocalipse. Receio que quando voltar para casa na segunda feira, só encontre escombros!

Vale a pena. A vida são três dias!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

VIVER


- Apesar das alternativas que vou arranjando, é contigo que quero ficar. As mulheres dão-me cabo da cabeça, mas tu dás-me cabo do coração! - Disse-lhe ele.
- Admiro-te por tudo. Nunca conheci ninguém tão fiel e persistente a um querer! - Disse-lhe ela. - Os leões são assim!
- Os leões são assim! - Suspirou ele
- Liga-me amanhã. Vamos tomar um café, beber um copo e experimentar a vida. Dois leões juntos podem conquistar a selva. - Decidiu ela. A seguir desligou o telefone, deitou-se e chorou silenciosamente sobre a almofada!
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Fool's gold - Lhasa de Sela