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domingo, 7 de setembro de 2014


Deita-te a meu lado, fiquemos em silêncio, escuta o arfar do meu peito enquanto ouço o barulho do desejo nas tuas mãos. O céu é todo salpicado de bolinhas reluzentes e sou feliz se me fazes rir. É tarde! Dormes e a última estrela apaga a luz. Boa noite.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014


A vida é demasiado curta e nela caberá o eterno, o definitivo, o temporal das estações agrestes, o calor fugaz, o inferno permanente, todos os solstícios, o longo carnaval dos três dias, o que eu digo e o que tu dirias. A vida é longa por demais e hão-de sobrar as tripas viradas e todas as coisas triviais.

segunda-feira, 28 de abril de 2014



Não sou nada, nunca quis ser nada, nunca serei nada. À parte isso, fui caçadora de borboletas no estomago, até ao dia em que o estomago nos engoliu.

segunda-feira, 17 de março de 2014


Transfigurados
Eu mais tu igual a nós.
Esgotados
Nós a desatar
Tu mais tu a dividir por eu mais eu
Igual a sós.

domingo, 9 de março de 2014



Por ora, basta-me esta tranquila inquietação: o silêncio da casa, o vento a estender-se pela corda da roupa, os pardais dispostos pela folhagem das árvores, eu comigo e todos os outros do outro lado da estrada.
 

quinta-feira, 6 de março de 2014



Gostar de alguém é querer estar presente, mesmo que não esteja junto.

segunda-feira, 3 de março de 2014


Para se sentir a felicidade tem de se isolar o coração da cabeça e partir nas asas do bem-querer, que o resto é vento! Pelo menos, até se bater na primeira ramagem da realidade!

domingo, 9 de fevereiro de 2014


O coração e a cabeça devem andar de mãos dadas.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014


Tudo é o que julgamos ser, porque o julgamos ser.  Mas, na verdade, nada é como o julgamos ser! E se o pudéssemos saber, ou sabendo-o, desnudar-se-ia a vida, o sonho desprende-se da terra. De qualquer forma, sempre a nossa raiz, enquanto tiver vida, há-de florir novos enganos!

terça-feira, 17 de setembro de 2013



Ahhh! Não passamos de marés!
Como esta dor que ondula e em mim regurgita espuma de incertezas.

segunda-feira, 11 de março de 2013

QUE COISA BOA!


Que coisa boa termo-nos encontrado no caminho!


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DESPERTAR

Alentejo - fotografado em andamento
.
Abre-se a lucidez
na fria noite
e a tristeza veste a nudez
do meu amor a monte.

Desperta de um sonhar
insónia branca
manhã que em choro canta
a insensatez do meu amar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

DÁ-ME O TEU OLHAR NOCTURNO


Foto do meu filho

Os meus passos afastam-se de mim. Fico sentada a um canto a bservá-los a caminhar pelo Outono dentro de um Novembro inédito que teima em florir por entre a névoa. Não sei se existe alguma harmonia entre os meus passos andantes e eu sentada sobre os dias a sacudir as núvens. Vem depressa, abre-me a janela do Dezembro com o rigor do frio e entra-me no peito como uma tempestade. Que eu gosto de brisas serranas que arrasam como balas de neve. Dilacera-me as veias com o orvalho das tuas madrugadas salgadas. Oferece-me um inverno ímpar, escancarado, onde passem os meus passos sem pressa de passarem.
E enquanto escrevo caiem-me as pápebras sobre os joelhos, tal é o sono que me consome! Ateia-me um fogo dormente no meu quarto de papel. Antes que os meus passos regressem a mim como um golpe súbtil e caia na realidade. Dá-me o teu olhar nocturno dentro de um poema, para sonhar a noite sem a pressa de acordar. Ah! Sono imenso, sonho intenso!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

NO INSTANTE EM QUE TE PENSO

Foto do meu filho

No instante vertical em que me sobes o pensamento, curvam-se os lábios num sorriso infantil. Lembras-me a cereja verde, roubada da árvore no ínicio de Maio. Ah! como apetece o fruto antes da hora da colheita!

No instante em que te penso a árvore desboca flores inquietas, como se anunciasse a Primavera neste Outono deslumbrado.  Nasce-me o impossível nos botões de rosa que apertam o casaco a cobrir-me o frio.

Quando tu me entras pelo pensamento, aqueces os meus velhos cansaços e abrevias o tédio, o tempo, o inverno.

Nesse instante em que me és pensamento, entranço imagens de sonho reinventadas em pretextos de vida. Toda eu me entranho na folha em que te escrevo e caio firme na paisagem que desenho.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

IR AO FUNDO DE TI




Quero ir ao fundo de ti sem me afundar.


sábado, 19 de novembro de 2011

A ESPERA


Fecho as mãos numa espera.  Tantas palavras à espera do vento que as liberte e do peito que as acolha. Nestas tardes calmas, por entre sol e núvens, vejo nas paisagens palavras para guardar em caixas de música e ouvir nas noites de solidão em que "a espera é um arame" farpado, ou não! Há noites em que apenas os meus olhos habitam o escuro.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

AQUI

Meco

O sol desmaiou no meu olhar, aqui onde as ondas enrolam ternuras e se desfazem em desejos a sussurrar.

ARDE-ME O PEITO


Abro os olhos a custo. A cabeça teima em doer, recosto-a na cadeira a travar o pensamento. Estes dias de exilio, sem nada para fazer ou sem nada poder fazer, trazem maior velocidade ao pensamento. A minha vida por um cigarro! Meio, pode ser? Não?! Que cruel esta garganta inflamada ao extremo, a tolher-me a voz, este peito em ferida! Ah! Eu quis embalsamar as dores do peito, dar-lhes rostos de olhos parados e baços, inertes, inofensivos, para as contar uma a uma, como troféus, e rir sozinha na minha demência. Eu quis embalsamar o peito para impedir mais dores, outras dores, dores. Esqueci-me de lembrar como se arrefece o peito, como se congela o peito e se torna uma placa transparente ou opaca, fria como um glaciar. A dor parte-me o peito em pedaços, lascados como vidros. Não esta dor, não esta dor, que esta dor é outra dor. E o peito arde de dor, arde de amor!

domingo, 13 de novembro de 2011

HOJE


Praia das Bicas - Meco

No fio das palavras.
No limiar do sonho.
Os loucos são todos os outros.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

YES



Vontade de beijar as estrelas...

'E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música' (Friedrich Nietzsche)".