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quinta-feira, 14 de abril de 2011

ESCLARECIMENTO


Bonita esta frase, não é?
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Devido a duas "reclamações" que me fizeram no respectivo livro, esclareço o seguinte:

- As "cartas anónimas" são pura ficção. São coisas que escrevo pelo simples prazer de escrever. Agarro em algo que ouvi e me tocou - lido com muitas pessoas no dia a dia, a nível pessoal e mais ainda a nível profíssional - e desato a escrever, embora ponha sempre um cunho pessoal, pois é difícil, num texto que escrevo, dissociar a minha realidade da realidade dos outros.

Quanto aos meus amigos/as, sim, são pessoas reais, emotivas, apaixonadas, verdadeiras e muito importantes na minha vida. São companheiras e também uma fonte de inspiração permanente, porque representam um pouco de todos nós enquanto pessoas.

E já agora aproveito para dizer que tudo o que tem o marcador "A contar histórias" é sempre direccionado à mesma pessoa, uma única e concreta pessoa, a minha fonte de inspiração especial e transcendente que me faz permanecer, ficar, manter, dizer, contar e , também, sobreviver este blogue: que me faz ter uma espécie de ligação entre a terra e o céu, entre o céu e o inferno.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O MEU NOME É ESPINHOS

O meu nome é Espinhos e assim me chamo porque é no confronto com os meus espinhos que encontro as minhas flores. Os espinhos removo-os, as flores posso eternizá-las.

Sei que já te chamei espinho, mas foi por mera expressão artística. O espinho, invariávelmente, sou eu. Tu és a flor que eternizei - minha estrela, minha luz, meu luar e minha madrugada. Finjo que não existes, escondo, mas trago-te, ainda, no espartilho colado ao coração...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

POR QUEM OS SINOS DOBRAM?


Esta tarde tive uma longa conversa. A conversa de que necessitava para serenar o espirito. Uma pessoa que sempre foi maravilhosa, nunca me tinha decepcionado, de repente, parecia uma pessoa estranha, um intruso! Bastaram as sensações ou intuições ou o que quer que se lhe chame, para sentir isso. O que é que se passava?! As explicações não me satisfaziam, daí a maior desilusão.
- Diz-me a verdade - pedi-lhe.
E ele começou a abrir-se. E disse-me, finalmente:
- Quando estou contigo sinto-me bem, estou feliz. Mas tenho o coração dividido. Há uma pessoa que está cá dentro e não sai. E sinto-me mal, é como se te traísse, e tu não mereces isso. E então sofro! Quanto mais tempo passo contigo pior me sinto, a pensar se é justo para ti. Sinto-me um filho da mãe! Eu gosto de ti, fazes-me feliz, mas não correspondo às tuas expectativas, sempre bem disposta, sempre a sorrir, sempre a dar-me carinho. E eu vou ficando cada vez mais triste, a sentir-me cada vez mais um filho da mãe!
Eu senti-me a tremer ligeiramente, mas disfarcei. Filho da mãe!- Pensei!- Não poderias ser feliz, simplesmente? Por acaso saberás por quem os sinos dobram? Nâo basta ser feliz? Só isso? É preciso o coração? E então pensei que deveria revoltar-me, sei lá, chamar-lhe nomes, ofendê-lo, sei lá! Um Leão não lida bem com estas coisas! O orgulho apunhalado desta maneira, é uma coisa insuportável! Falo a sério. Tremia ligeiramente, embora que de forma controlada.
E agora vou ter de ir à reunião de condomínio! Não estou com espirito para isto, mas tem de ser, é obrigação de qualquer condómino responsável.
Voltei. Encho o copo de vinho. Esta noite é a minha companhia. Não preciso de mais nada. Voltam-me as palavras à memória, como se fosse um eco. Desgraçado! Confessar-me a verdade! Céus! Senti-me quase a desfalecer! Por momentos fiquei sem voz, com as palavras enroladas na garganta! Não era melhor mentir-me? Dizer-me uma treta qualquer igual áquela que me tinha dito há dias atrás? Não seria melhor manter a farsa e até jurar-me a pés juntos que era tudo uma questão de problemas de depressão motivada pelo desânimo no trabalho! Mas ele é um rapaz delicioso e honesto. Perdoa-me. Como posso magoar uma pessoa que só me fez bem? - Disse. Ho céus! O que eu senti naquele momento! Alguém imagina? Foda-se!
- Nunca discutimos! Só me lembro de momentos maravilhosos. É um final feliz! Andei três dias a bater mal, só porque me custava a abdicar da alegria e bem estar que tinha contigo e porque me custava aceitar que, a final, fosses igual a todos os outros, quando te julgava tão diferente!- Disse-lhe. - Sei agora que nunca estive enganada a teu respeito e isso tranquiliza-me. Estou bem, acredita. persegue os teus sonhos. É assim que a vida faz sentido, só assim. Eu também tenho os meus. Quero-te bem.
E assim terminou a nossa conversa. Não tive coragem para lhe dizer que tenho a vida cheia de textos e rascunhos que não lhe dizem respeito. Que sempre tive o coração dividido e que isso me fazia sentir uma filha da mãe! Que os sonhos me perseguem todos os dias e eu não sei como persegui-los, por isso me agarrei a ele.
Um dia destes, talvez me sente a tomar um café com ele e lhe diga por quem os sinos dobram, se tiver coragem.
É sexta-feira. Convidaram-me para saír e eu respondi: - Hoje não. Preciso de me reencontrar com a minha solidão.
Hoje preciso de estar comigo mesma, para tentar compreender a vida e aceitar tudo isto, e tentar aceitar, sem me sentir uma filha da mãe, que os sinos foram dobrando, ainda dobram... por quem?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

PREGUIÇA!

O tobias de madrugada. A chuva a caír na janela... muito frio!
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Hoje só apetece cama. E ternuras...


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

OS HOMENS!!!


Ontem tive uma tarde péssima! Queria trabalhar, mas o telefone estava sempre a tocar, ora chamadas, ora mensagens! Para além disso, tive sempre ao pé de mim uma amiga (não eramos muito íntimas, mas a conjuctura actual - emocionalmente falando - aproximou-nos), que estava numa ansiedade de cortar ao cutelo! A juntar a isso, atendi uma cliente que, inesperadamente, desatou a chorar! Gaita! (Já quase não digo asneiras! Confesso que houve um comentário anónimo que me tocou profundamente, me envergonhou e deu-me aquela força necessária para ganhar maneiras!).

Já quase tinha deixado de fumar, até ontem à tarde que, num ápice, limpei quase um maço de tabaco! Sou influenciável! Quem não o é? Se passo muito tempo com alguém que não fuma, evito perturbar essa pessoa com a minha fumaceira - é uma questão de respeito e só tenho a ganhar com isso. Se passo muito tempo com alguém ansioso, acabo a banhar-me em ansiedade!

Mas voltando à minha amiga, é uma rapariga (bem, é uma mulher que já passou dos quarenta) que se apaixonou recentemente. Melhor dizendo, reapaixonou-se por um antigo namorado, daqueles da adolescencia! E é tudo tão deslumbrante no auge da paixão! Ele é "meu doce, minha fofinha, coisa linda, maravilhosa, meu sonho, minha querida, meu amor...!!! É tudo muito profundo, muito açucaradado! Eu poderia dizer que chega a ser enjoativo, o que não é verdade, pois bem sabemos como é ridiculamente delicioso todo esse favo de mel! Que tão bem faz à nossa alma, sempre faminta de afecto. Continuando...

A minha amiga perdeu o apetite e uns bons quilos que tinha a mais, perdeu o sono e até largou o juízo num canto qualquer de que já não tem memória. Como o rapaz está no estranjeiro, ela não perdeu tempo e comprou uma passagem de avião para ir ter com ele. Foi então que o rapaz logo cessou com a ternurice, acabou com as mensagens, os emails e os telefonemas. Em face do silêncio do apaixonado, ela ficou insegura, com os nervos em frangalhos, vómitos, dores nas costas e nos braços e crises de pánico. E eu a tentar acalmá-la, dentro dos poucos meios de que dispunha.

Como se não bastasse, a cliente que está a meio de um processo de divórcio começou a contar-me que o primeiro marido lhe batia todos os dias e este, o segundo, foi um desprezo total, nem um beijo na boca lhe dava! E, do seu rosto triste, rolaram as lágrimas. Ao mesmo tempo que o meu telemóvel apitava, apitava, como que a querer dizer-me:"Tola! Ingrata! Ingrata!"

Os homens são todos iguais! Sou obrigada a concluir que todos frequentam a mesma escola, agem da mesma forma e sentem da mesma maneira! Custa-me dizer isto! Eu até gostava de não ter de o dizer, até gostava de pensar outra coisa, pois seria muito mais feliz se pudesse ter esperanças de um dia encontrar um homem diferente. Mas as provas que tenho e a fase de inquérito já tem uns longos anos, são precisamente estas! Os homens são uns sacanas! Os homens não são de confiança! São seres estranhos com comportamentos inexplicáveis e incompreensiveis! É certo que há muitos homens deliciosos e até maravilhosos, desde que não queiramos nada deles nem aprofundemos o conhecimento da sua mente obscura. Por isso, a melhor e se calhar a única maneira de nos relacionarmos com um homem seja a do de vez em quando, trocarmos conversas e bactérias, promessas vãs e ridicularias, vinho e um queijo da serra.

Estarei a ser injusta, - e também gostaria de acreditar nisso - com algum ser que nunca terei tido o privilégio de conhecer e que possívelmente nunca conhecerei. E, como se o acaso gozasse comigo, acaba de me ligar um homem maravilhoso a dizer que tem saudades minhas e que hoje me vem visitar com o seu sorriso encantador! Como se o acaso quisesse ou pudesse contrariar esta tese que ontem, depois de umas quantas horas de stres, acabei por elaborar no meu (sub)consciente. É que, à cautela e por dever de consciência, nada espero. Sendo certo que me entrego e recebo sem reservas o que de melhor puder. Porque assim fomos feitos ou criados e, inevitavelmente, sonhamos, uns com os outros, uns mais que os outros, uns e os outros. Todos precisamos de amor mas, creio, os homens não sabem como usá-lo e o amor não se faz acompanhar de livro de instruções!
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Estará uma lua cheia lindíssima esta noite!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

COISAS PARVAS


Hoje abusei da praia. Estou a arder. Sinto-me um carapau frito! E estou tão lamechas que até meto nojo!
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A Warmer Moment - Butterfly Explosion

domingo, 8 de agosto de 2010

SHOOT ME DOWN


Estou em erupção! Sinto-me uma bomba relógio!
Endoideço!...
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Sex on fire - Kings of Leon

quinta-feira, 8 de julho de 2010

ADITAMENTO


O verdadeiro significado das palavras, aquele que efectivamente encerram, é o de assumir uma (i)realidade, a declaração quase pública de uma platónica paixão. Falar de um sonho que sonhou ser mais que um sonho.

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Não há palavras que possam descrever a verdadeira efervescência da pele.
Da pele que desperta pela manhã
da pele que reclama viver
a cada poro que se abre.
Da pele que me ondula no bater do peito,
que deseja outro peito, a areia, o sal.
Da pele para onde todos os sentidos convergem,
da pele palpável, sentido dos sentidos,
palavras,
textura e forma.
O único significado possível de quem quer
de quem assume um querer.
Da pele que sabe que
inevitável e sublimemente
a vida exige vida.

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A natureza é tão extraordináriamente simples! Um sentimento não deve ser mais do que isso: extraordináriamente simples e natural.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O CASAMENTO ESTÁ FALIDO?


Tenho um amigo que, habitualmente, é bem-humorado e brincalhão. Nos últimos tempos tem andado ausente, calado e cabisbaixo. Perguntei-lhe o que se passava e disse-me que andava cansado. Porém, acabou por me confessar que a mulher dele tem um amigo íntimo, intimissímo. Estas situações são demasiado frequentes, o que me leva a constatar que, afinal, o homem e a mulher são feitos da mesma massa - só a forma é que é diferente - e a pensar que, indubitávelmente, o casamento é uma instituição pouco credível, fracassada.

Se o ser humano, por natureza, não é solitário pois tem uma necessidade intrínseca de relacionamento amoroso, cujo objectivo não se limita à procriação, por outro lado, também não é monogámico. Como diz o autor Gabriel Garcia Marquez, um homem consegue amar várias mulheres e até ao mesmo tempo, porque o coração de um homem tem mais quartos que uma pensão de putas. Ora bem, o exagero da expressão não é para levar a sério, mas uso-o para explicar que o coração humano é compartimentado, na medida em que pode albergar vários sentimentos, por vezes semelhantes, por diferentes pessoas.

Pessoalmente entendo que duas pessoas são o número ideal para um relacionamento*, pois mais do que isso tende para a anarquia, a sublevação dos valores tradicionais famíliares. Sendo certo que a família é a estrutura da sociedade. E que a sociedade precisa de alicerces fortes para não gerar o caos. Quanto a mim, a família é a base de tudo e o amor amoroso repartido apenas por dois, uno e indivizível. Quando ele é forte e livre não necessita da intervênção de terceiros. Digo eu!

Muitas vezes me interrogo como seria a sociedade poligâmica, bem sabendo que existem pequenas sociedades estruturadas dessa forma e que resultam, em ambientes totalmente diferentes desta enorme sociedade em que me movimento. Ainda assim, não sei como se processa o mecanismo emocional do amor nessas sociedades.

Porque é que o ser humano é ciumento? O ciúme é inato? É instintivo? Ou é um produto deste sentimento generalizado de posse? Porque é que o meu coração dói e se constrange perante a hipótese do objecto amado direccionar o seu interesse amoroso ou sexual para uma outra pessoa que não eu? Fui programada desta forma? Porque amo e quero aquela pessoa e não outra ou não outras em simultâneo?

São muitas as questões, mas o tempo é pouco.

Numa época em que o casamento está falido, luta-se pelo casamento entre os homosexuais. Penso que eles também têm o direito de comprovar por si mesmos a derradeira insolvência dos afectos conjugais.
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*Se já é tão difícil aturar e tentar compreender um homem, como seria aturar e tentar compreender dois ou três!?

terça-feira, 18 de maio de 2010

NO FEMININO


As mulheres são incompreendidas. Quem é que entende uma mulher? Ninguém! Eu própria não me compreendo! Acho que tudo se deve ao sistema hormonal. De facto, o sistema hormonal feminino é demasiado complexo. Para uma mulher, durante um mês, existem três fases: a folicular (menstrual), a ovulatória e a luténica. Durante cada uma destas fases, desenvolvem-se hormonas que condicionam o seu estado de espirito. Eu - como muitas - ainda tenho uma quarta fase, a da depressão pré-mentrual que dura entre dois a qutro dias, caracterizado por dores nas mamas, no abdómen, irritabilidade, ansiedade e variações de humor. Foda-se! É obra! A mulher tem um sistema como qualquer máquina! Parece-me é que avaria mais vezes! Todavia, esta variação hormonal, é a grande responsável pela nossa má-fama.

Quando uma mulher está na fase do período menstrual, é encarada como um sinal proíbido - sinal vermelho. Porém, uma mulher que se diz fora de serviço por estar menstruada, ou um homem que diz que uma mulher está fechada para obras por estar menstruada, são pessoas com um grande déficit de imaginação. Na verdade, as hormonas produzidas pelo organismo durante o período menstrual, aumentam o desejo sexual feminino. Só os burros é que não aproveitam! Já a fase da ovolução é a fase do apogeu no que concerne ao desejo e bom humor. Um homem que se preze em compreender uma mulher, faz as devidas contas e não perde a oportinadade, devendo tirar férias e, se possível, desaparecer naqueles diaszinhos que antecedem a fase folicular. Lol.

Curiosamente, o suor masculino ajuda uma mulher a relaxar e a ficar bem humorada. Isto porque o suor masculino snifado por narinas femininas, leva a que as afortunadas produzam hormonas semelhantes ás que são produzidas na fase ovular. E tal efeito pode durar cerca de seis horas. Desta forma, um homem pode muito bem esforçar-se na limpeza da casa, por forma a suar que nem um xibo, pois terá sexo garantido.

Nós somos verdadeiras máquinas, acreditem. os homens gastam tantas horas a tentarem perceber o funcionamento de um computador e nem tentam perceber o de uma mulher! Afinal, é tudo uma questão de estudo, tempo e prática. Depois é só operar e encontar as soluções adequadas a cada falha ou avaria.

Bem, tenho de ir trabalhar e ando muito irritada...
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Specialist - Interpol

quinta-feira, 29 de abril de 2010

NE TE QUITTE PAS


Eu não sei nada sobre o amor. Nada. Só sei sentir o amor. Tudo o que digo sobre ele é puramente empírico. O que sei é que o sangue ainda ferve nas veias quando falo contigo. Que o teu nome ainda tem um sentido transcendental. Que o teu riso ainda abana tronco e folhagem como se fosse uma ventania e me transporta para momentos inesquecíveis, em que o mundo era infinitamente grande e se reduzia a dois, como se fossem uma unidade. Ah, não! Não sei nada sobre o amor! O que eu sei é que a tua voz me cola o corpo todo ao coração e o mundo não passa de um equalizador que ma transmite. E quando te ouço, parece-me saber tudo sobre o amor!
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Ne me quitte pas - Jackes Brel

quarta-feira, 21 de abril de 2010

CADA UM COM A SUA SINA


Quando fiquei sózinha, como quase todas as pessoas que se separam ou divorciam, criei grupos de amizades dentro da mesma faixa etária e nas mesmas condições. Comecei a ir a sítios foleiros e conheci pessoas foleiras, mas também pessoas interessantes. Apercebi-me que a maioria dos homens procurava aventuras e a maioria das mulheres vivia aventuras, mas procurava um homem com posição social e financeira que lhes proporcionasse algum status. Rapidamente desisti de sair. Porque eu procurava o amor. Então inscrevi-me num site de encontros. Xi! A sério! Coisas da minha irmã... porque ela tinha pessoas amigas que se tinham conhecido... e eu, que só sabia usar o computador para o trabalho... foi uma trabalheira! Criar um email pessoal, o msn, inscrever-me... enfim! Mas, seja qual for o lugar, as coisas não mudam! Também, rapidamente me apercebi disso. Entretanto apaixonei-me unilateralmente e criei um blog para me entreter- não foi este, foi um que um dia, num impulso, mandei às urtigas. Sou assim! Sou tão impulsiva quanto sou serena.
Já lá vão mais de quatro anos. Os homens continuam a interessar-se por aventuras e as mulheres por bons partidos. E eu ainda não encontrei o amor.
Há tempos, um homem que ao longo dos anos veio a desenvolver um certo interesse por mim, disse-me: "Levo-a a jantar a Paris, no dia em que quiser. Só tem de me dizer que sim." - Apesar de ter sido o único homem que, durante três anos, me mandou flores para casa, com cartão e tudo, eu tive de lhe dizer que não. E bem sabia que ele falava a verdade, pois conheço-o bem, há treze anos que lhe trato de assuntos profissionais. Paris é uma cidade maravilhosa, já lá passei um mês, é a cidade dos amantes, e ele até é um homem interessante, um bom partido, mas não para mim, eu preferia uma manta num relvado português, uns torresmos, queijo da serra, azeitonas, uma garrafa de tinto, um rádio... e o amor! Que idiota que sou! Dizem!...

E eu digo: cada um com a sua sina e a minha é palavras, música, pássaros e sonhos!
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Your desert's not a desert at all - Pela

sábado, 13 de março de 2010

SEDUÇÃO


Se é embaraçoso passar por um grupo de trolhas (os trolhas que me desculpem, se quiserem) e ouvir aqueles piropos do costume, mais embaraçoso será estar a falar com um homem, que em vez de tratar a mulher pelo nome a trata por "boazona", "apetitosa" e coisas afins, quando entre ambos não existe intimidade ou cumplicidade para tal. A questão que se impõe de imediato é: "Terá cérebro ou uma pedreira?" Quem sentirá atracção por uma criatura que exibe tal mediocridade? Por Zeus! A sedução exige elegância.

Não menos embaraçoso é uma mulher estar a conversar com um homem que conheceu à pouco tempo, e ele, como quem não quer a coisa, vai passando uma mão na cintura, depois outra no ombro, prende-lhe as mãos com alguma insistência e respira baforadas para cima dela. A questão que se impõe é: "Queres vestir o capuchinho vermelho ou dar já o golpe fatal no infeliz do lobo?" Não há atracção que não desfaleça perante o massacre. Ho god! A sedução exige postura.

Intrigam-me os homens cuja técnica de sedução é a do velho e extremo cavalheirismo! Abrem-lhe a porta do carro, puxam-lhe a cadeira, oferecem-lhe flores, carregam-lhe os sacos e depois, na hora da verdade: "Queres ou não queres?" - Pergunta-lhe ele com alguma frieza de modos. Se ela responde que não, ele indigna-se e deixa cair a camuflagem. "Não! Que idiota que eu sou! Faço tudo isto e a final não queres!?" E se a mulher lhe responde que para se conhecerem, as pessoas têm de conviver e que só o convívio permitirá a uma pessoa saber se quer ou não quer (a menos que sinta uma atracção instantânea e irremediável), o cavalheiro responde: "Então olha, apanha uma boleia que eu vou-me embora e sozinho." Mama mia! Sem comentários!

A sedução exige sobretudo naturalidade, algum calor e tempero, agradabilidade e bons modo, um certo mistério e fantasia e o tempo certo de cozedura. Mas claro que ser natural, para alguns, é ser naturalmente imbecil! Não há nada a fazer! E despois queixam-se que são mal sucedidos! Pois são!

Tenho uma coisa como certa, a essência das pessoas raramente muda.
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Loose fit - Happy Mondays

segunda-feira, 8 de março de 2010

Não tenho paz! Os pensamentos desenrolam-se descontrolamente. Sinto uma revolta que me sufoca. É quase um ódio! Por todos, por tudo! O meu corpo parece um saco de pedras a esmagar-me as vísceras. Tenho dores que não passam. E o peito aloja láminas que se espetam em todas as direcções. Os pensamentos são zumbidos que me rebentam a cabeça. Como se se esmagassem uns contra os outros. Arde-me a alma. Como se, em segredo, eu tivesse uma alma! Eu, que já não tenho segredos! Nada que possa esconder. Uma nudez, apenas, onde escorrem lágrimas. As lágrimas queimam. Eu nunca me vi assim, tão nua! De pele queimada. Tão pequena e tão fraca. Com a fúria cravada nas maos enquanto, com elas, desfaço os meus delírios.
...
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

POST(O) ISTO, VOU DORMIR

Foto: Torre de Belém
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Que coisa o tempo fez de mim!... de nós!
Sinto uma falta e não sei se sinto a tua falta.
Também não sei se é possivel sentir-se falta de alguma coisa que nunca tivemos ou que apenas tivemos de empréstimo. Não sei ao certo se te restitui por inteiro e sem danificação. Se cheguei a fazer o uso devido e pleno ou se foi mera ilusão, ou uma serventia temporária e sem direito a usufruto. Perdoa os termos que aplico, por defeito ou mau feitio, áquilo que em tempos eu própria denominei "amor". Que o amor corrói, quando, depois de limar arestas, às superfícies lisas não lhes é puxado o lustro, dado o brilho ou aplicado o verniz certo. Corrói e faz doer. Cria buracos explosivos, crateras perigosas e até lixeiras pessoais.
Não sei se sei porque venho com este palavreado, a modos que irritada, ou parva ou contrafeita com alguma coisa mal resolvida. Ou se apenas me apetece disparar tiros contra o porta-aviões ou perdir-lhe uma boleia.
Estou que não posso! E posso muito bem dizer todos os disparates que me vêm à cabeça.

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Too late, too slow - Shout Out Louds

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O BEIJO


Há homens que não beijam. Ou porque não o sabem fazer ou talvez porque pensam que estender os lábios fechados, encostá-los a outros lábios, em forma de bico e esmagá-los duramente, seja beijar.

Há homens que não beijam decentemente. E quando digo decentemente quero dizer daquela forma indecente e lambuzada em que as línguas se buscam a salivar de desejo, os lábios se contorcem e mordem e os bigodes ficam todos molhados. Um beijo decente encerra em si mesmo uma elevada carga de indecência.

O beijo é a primeira e a mais primária forma de manifestação de afecto. Todo o relacionamento amoroso se inicia por um toque de mãos ou de lábios, quase sempre ferveroso . O beijo é a mais deliciosa forma de dizer amo-te, quero-te, desejo-te, adoro-te, estou apaixonada/o. De que forma o dirá quem não beija? Apenas por palavras? Uma boca pode dizer muita coisa, mas uma boca fechada ao beijar é como uma porta fechada, ou como um livro que encerra em si muitas palavras escritas, mas que só fazem sentido quando o abrimos e retiramos dele o prazer das palavras vividas.

Há homens que nunca beijam, embora encostem os lábios. Mas porque raio é que estes homens não o fazem? O beijo é uma manifestação espontânea. Não se ensina a beijar.

Há muitos anos tive um namorado que não beijava. Estendia os lábios seca e raramente. Aquilo incomodava-me. Durou muito pouco, apenas o tempo suficiente para perceber que seria sempre assim e que assim, não era nada. Nenhuma luz se acendia dentro de mim, pelo contrário, se alguma existia, apagava-se. Disse-lhe que não podiamos continuar, pois não sentia paixão alguma no nosso relacionamento. O rapaz desesperou-se. Durante muito tempo insistiu em me telefonar pois dizia-se apaixonado. Ora essa?! Desculpe se quiser, mas o beijo fala comigo e neste caso não me dizia nada.

há uns dois anos atrás tive um namorado que também era assim. Era tão bonitinho! Era tão bom rapazinho! Não fosse o beijo, ou a falta dele, eu até poderia ter-me apaixonado. Mas porra! Comecei a pensar que se calha tinha mau hálito, daí que comprei um elixir e comecei a andar sempre de pastilha elástica com sabores a frutas. Questionei todos os meus amigos e amigas se notavam em mim algum cheiro, encostava-lhes a boca, lançava-lhes um bafo e pedia-lhes para serem sinceros pois era de suma importância saber a verdade. Nada! Eu andava traumatizada! Não resultou. Não poderia resultar. Nunca resultaria.

O beijo é o mais importante elo de ligação. Daí a importância do primeiro beijo, o guardarmos na memória o seu sabor e o seu calor.

Afinal que sabedoria exige um beijo? Nenhuma. Um beijo não se pensa, dá-se porque se deseja e sente-se simplesmente com a mesma intensidade do desejo.

Há dias, em conversa com um grupo de amigos e conhecidos, um fulano comentou que detesta beijos de boca aberta. "Interessante - pensei - deixa-me cá explorar o assunto." Perguntei-lhe porque razão. Disse que lhe faz inpressão a boca toda molhada, toda aquela humidade. Então perguntei-lhe se as outras humidades também lhe faziam impressão. Respondeu-me que não! Pronto, está explicado. Só não está é entendido, cá pela parte que me toca.
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The high road - Broken Bells

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

ESTOU FODIDA E MAL PAGA


Em frente ás minhas janelas tenho uma igreja qualquer, muito estranha, frequentada por pessoas estranhas. Ali se fazem piqueniques, bailaricos, cânticos, dança, step, ginástica ritmica, festas de carnaval, fim de ano, casamento, missa, skate, bola, reuniões e velórios. Por mim tudo bem. Como eu só fumo na janela da cozinha, até me divirto a apreciar aquela diversidade de acontecimentos, tão inédita, na casa do Senhor. O pior é quando há velórios. Houve um que eu podia observar o morto da minha janela. Como aquilo está cheio de janelas que não têm estores, cada vez que eu ia fumar um cigarro lá estava o bacano! Não é por nada, mas tenho um medo dos mortos que me pelo. Nada me mete mais medo! O pior foi à noite. Eu acendia um cigarrito e olhava para as janelas. Não via nada, mas sabia que ele estava ali. Começava a arrepiar-me, a olhar para trás, a ouvir estalidos estranhos!... Ainda por cima, era fim-de-semana e eu estava sozinha. Bem sei que parece mentira, mas não dormi nada essa noite e tive de deixar as luzes ligadas pela casa. Pois é! Há pouco lá vou eu fumar o meu cigarrito e o que vejo!? Um filha-da-mãe dum caixão rodeado de gente! Estou fodida esta noite, pensei. Claro, sem dúvida! Ainda por cima estou sózinha! Mas esta malta morre sempre ao fim-de-semana? Arre!! Não terão mais nada para fazer numa sexta-feira á noite?!
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Spirit Lake - CocoRosie


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

COISAS A MODOS QUE... NEM SEI!

Foto: Nordeste transmontano
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Tenho um amigo que se quer divorciar. Conheço-o bem. Parece-se comigo. Temos afinidades grandes. Somos leões, com quase todas as caracteristicas que um leão pode ter. Se eu ligo aos signos? Sim. Desde há uns tempos para cá, comecei a tomar atenção a determinadas coisas que antes não ligava nenhuma (andava demasiado ocupada com a vida para perceber). A titulo de exemplo:

- Tenho depressões sazonais que duram cerca de 2 a 3 dias mensais. Lembro-me de, há anos, dizer a este amigo que não sabia porquê, mas quase todos os meses tinha 2 a 3 dias em que abria as torneiras e chorava desalmadamente. Percebi que sofro de depressão pré-menstrual. A partir daí arranjei formas de a combater.

- O desejo sexual, a euforia, a maluqueira e a boa disposição ( embora quase sempre presentes), cresciam de um momento para o outro, a dada altura do mês. Percebi que era na lua cheia. Hoje não preciso que ninguém me diga que estamos na lua cheia, eu sei-o pelos sintomas.

- As pessoas possuem caracteristicas praticamente imutáveis. Os sisudos são sérios e exigem dos outros mais do que os outros lhes podem dar. Os divertidos acham graça a coisas insignificantes, são tolos e maleáveis desde que felizes e apaixonados. Os ambiciosos são mais materialistas e menos escrupulosos. Os sonhadores são depressivos e ora felizes ora tristes. Etc. Ter a percepção das caracteristicas dos outros, permite-nos lidar com eles por forma a adaptarmo-nos. É preciso perceber os sinais que nos são transmitidos na relação com os outros e determinar as características imutáveis.

Os signos dão-nos algumas, mas nem sempre correctas, dessas caracteristicas. Conheço várias pessoas do mesmo signo totalmente diferentes. Ainda assim, comecei por me interessar pelo assunto tendo em conta a minha própria personalidade.
Sou excêntrica, faço coisas que nem às paredes confesso, porém, sou discreta (morderei pela calada? Digamos que sou madura, aprendi a viver as minhas excentricidades sem que estas interfiram com a minha vida corrente ou com a vida dos outros). Sou vaidosa (também de forma discreta, gosto de estar sempre bem ainda que para mim mesma, cuido-me ao pormenor, mesmo que não se note). Sou divertida e bem humorada. Há em mim uma luz natural (que só percebi tardiamente) porque faço amizades com facilidade, porque há sempre alguém que me rodeia, que me telefona, que me namorisca, que me procura, que se senta ao meu lado (trata-se de auto-confiança e chama-se cativar). Tenho um dom natural para as artes. Comecei a desenhar com 4 anos. Aos 16 anos escrevi um romance. Enveredei por uma profissão que exige "arte e engenho", adoro teatro, pintura, cinema, música e fotografia. Sou generosa. Dar é multiplicar. Os povos antigos davam para colher. A dádiva só pode trazer fartura. É o meu lema. Sou apaixonada. A paixão é o meu leme. Quando amo, faço-o desmedida e desinteressadamente. O amor é o bem supremo que me conduz. Mesmo sem amor, nunca estou só. Um leão nunca está só. Está sempre rodeado por alguém que lhe dê amor. Percebi isso depois de me divorciar. Há sempre alguém, ainda que não haja "ninguém". Porque um leão é solitário mas não sabe sê-lo. Sou fiel, orgulhosa e determinada,

E heis que me descobri leoa, com todas as características, desde há quatro anos. E tenho descoberto nos outros leões, identicas caracteristicas.

Por outro lado, nunca tinha conhecido ninguém do signo peixes, até um dia. Apaixonei-me por um peixito. Vá-se lá saber porquê! Nessa altura não pensava muito em signos. Aos meus olhos ele era deslumbrante! Apaixonado, romântico (suspiro), surpreendente, muito sério, sonhador, de confiança, elegante em todos os aspectos, maluco, divertido, apreciador das artes, da noite, dos petiscos e copos, simples, generoso, orgulhoso e por aí fora. Mas nunca soube por onde ele andava: se estaria na Terra ou em Marte! Nunca soube o que ele queria: se me queria ou se me desprezava! Nunca soube onde encontrá-lo: se estava dentro do corpo ou se voava! Nunca pude contar com ele: hoje era assim, mas amanhã dependia do humor. Era um solitário deprimido e parece-me que não queria ser de outra forma. E eu amava-o com um certo deslumbramento que nunca entendi. Quanto mais distante o sentia mais o queria. Aquela personalidade atraía-me. Acho que nunca o encontrei realmente, que nunca o conheci, que nunca o tive comigo. Então acabei a pensar nestas coisas dos signos. Nada é absoluto ou linear, mas que há características próprias de cada signo, estou convicta que há.

Desviei-me completamente do discurso inicial. Não era nada disto que pretendia escrever, mas, enfim, não vale a pena tentar segurar as palavras e o pensamento.
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Take it in - Hot Chip

terça-feira, 24 de novembro de 2009

INCOERÊNCIAS


O silencio é a pior das falas.
Tratas-me mal no teu silencio. Dizes-me que sou insuportável, que a minha presença te incomoda, que não te faço falta, que a tua vida é bem melhor sem mim.
O teu silencio diz-me coisas dolororas. E nem sequer me posso defender!
Bem melhor seria que gritasses comigo. Que me mandasses às urtigas, dar um passeio à Muralha da China, uma visita ao Muro das Lamentações ou uma viajem espacial sem regresso.
Cortas-me a fala. Congelas-me as palavras. Tenho a garganta tapada com cubos de gelo que me sufocam. Rezo Avé-Marias e Actos-de-Contricção para ser capaz de suportar o inverno que se avizinha.
És um malvado. Criador de silencios assassinos. A minha voz já morreu abafada pelo teu silencio. Resta-me a palavra escrita e um orgulho à beira da miséria.
Ainda assim, talvez reconheça que é melhor assim. Sei lá! Há um espaço enorme á minha volta! Poucas vezes vi um espaço tão grande, poucas! E às vezes, apetece-me corrrer para cá e para lá, de um lado para o outro, só para ter a noção da imensidão vazia que me cerca. E depois, caio exausta e desato a rir tolamente. Já imagisnaste o que é sentir toda esta liberdade? Nem sei como te explicar o que sinto! Uma explosão de cubos de gelo a saír-me pela garganta. E a sensação de deslizar com patins sob o chão enorme onde caiem, amplo e escorregadio, sem necessidade de quaisquer palavras... apenas um silencio imenso onde posso inventar a música e a dança! Parece-te uma contradição?
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Pale Horses - Moby

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ENQUANTO O COMBÓIO NÃO VEM

Foto: Trás-os-Montes - Rio Tua
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Quero acreditar que tudo faz sentido, até aquilo que não tem sentido nenhum. Há coisas que morreram em mim, como se nunca tivessem sido. E quando me vêm à memória, não me reconheço, sinto-me uma estranha que um dia acampou dentro de mim e partiu sem deixar rasto. Ainda assim, penso que tudo deveria fazer um sentido qualquer, para a vida não se assemelhar a um jogo, a um baralhar de cartas, a um lançar de dados - às vezes a favor outras contra.
Por vezes sou obrigada a concluir que quando encontro o que procuro não encontro nada. Terei de perceber que não adianta procurar. O encontro serve apenas para reafirmar aquilo que já sei por dever de inteligência: não se procura o absurdo. Porém, resta-me uma dúvida: o que é o absurdo? Encontro e vejo, quase de imedito, a imagem a desaparecer num espelho que se embacia, e os pormenores passam a contornos abstractos que só de longe, de muito longe se observam. Possivelmente não procuro nada, apenas não quero desagarrar o desafio que prendi entre os dedos
Às vezes transgrido. Só para por à prova o princípio que nada acontece por acaso. E, por acaso, acontecem-me coisas. Embriago-me, avivo-me, reanimo-me, restituio-me. É só para ver se tudo faz sentido. E depois o constrangimento da percepção do sentido nenhum. Penso que a minha alma ficaria maior se tivesse um blog cor-de-rosa ou falasse de Deus. Sou pequena e acho que nem tudo vale a pena. Paciência! Ele dirá que isto não é filosofia, somente orgulho. E eu direi que sim, um insuportável orgulho que me leva a dizer-lhe que não. Gosto de romãs e não como romãs. Tantos caroços cansam-me. E gosto de o ver comer romãs. Há uma sensualidade inesgotável no modo como ele come romãs. Sou impelida a transgredir por via das romãs. Só para, depois, me poder interrogar se há alguma coisa que faça sentido.
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Oh No - Andrew Bird