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quinta-feira, 13 de novembro de 2014


Procuro sabedoria, pois só ela pode trazer a paz.
Sinto-me cercada por todos os lados! Há sempre gente! Gente que cresce todos os dias, que me entra na vida sem bater à porta, gente de cá, gente de lá, gente que fala ou geme, gente feita de barulho, gente silenciosa, gente boa e gente má, gente apetitosa e gente nojenta! Agora, a vida é feita de gente e a gente fica sem vida! Antes, dum lado tinha janelas voltas para a rua e do outro lado, janelas voltadas para os sonhos. Hoje, só encontro portas escancaradas e toda uma multidão a entrar-me nas entranhas! Agora, a vida é um cerco, cheia de sombras em todas as esquinas da rua, da casa, do sono e do cansaço. Eu só queria um pouco de silêncio e de paz, um fundo branco a cobrir vida. Eu só queria paz e sabedoria.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014


Sinto falta de estremecimentos que me arranquem os pés do chão.

quarta-feira, 20 de março de 2013

CISMAS


 O pensamento é aquele elemento estranho que sempre aparece para nos bicar o cérebro!


sexta-feira, 29 de julho de 2011

LEÃO


Desde que o sol ingressou em leão no dia 23, sinto-me muito mais viva, mais confiante, inspirada e com arrebatamentos. Ando armada em mulher fatal na vestimenta e estou voltada para o coração. A paixão renasceu em mim e uma vontade de escrever, escrever, escrever. Eu que não tenho jeito para a poesia, já escrevi mais poemas esta semana do que em um ano, transformei textos em poesia , ridícula, sem dúvida, mas tenho de deixar dar largas ao coração e à imaginação. Sem pretensões, apenas por prazer.
Tenho um amigo que também é leão e também ele anda assim, divertido, inspirado e a rugir.
Este é o período do coração e da sensualidade para os leoninos. Aproveitemos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

SE, POR ACASO, FALASSE DE AMOR

Se por acaso falasse de amor, que já não falo, buscasse encanto, que já não busco e chamasse o teu nome, que já não chamo, diria que um vento quente me bateu à porta e não quis entrar, deu-me um beijo em prosa, assinou o registo e partiu. Fiquei tonta, no meio de um deserto! Tantas palavras que bailaram comigo, levadas pela corrente, essa força que me fazia perseguir um sonho, uma espécie de rio sem ponte, entre margens sem suporte. Hoje nada me dói! Hoje nada me exalta!
Navego num mar morto. 
Uma amiga que gasta metade do seu tempo de vida a falar, que raciocína mais por intuição que outra coisa e inventa paixões onde elas não existem, diz-me que gosta muito mais de mim quando falo de amor, busco encanto e chamo o teu nome. Diz-me que estou tranquilamente silenciosa. E chata. Eu também gosto mais de mim quando falo de amor. Mas tenho insónias. Já não sonho. Vivo sonolenta. O Norte é tão indiferente quanto o Sul. Talvez deixe de ter um ponto cardeal. Penso que estou a morrer dentro de mim.  E que, se falar de amor será por acaso. Já não busco encanto. Guardo o teu nome, que já não chamo, para que morra comigo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

...

Para onde vamos? - VII
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Não sei esperar! Consumo o tempo todo numa espera que sei vã e, ainda assim, posso dizê-lo: não sei esperar por aquilo que, sei, nunca chegará! Nunca soube esperar no escuro! Tenho em mim um formigueiro que me atravessa a alma com passinhos lentos, marcha certinha, como se me estivesse a picotar, a caminhar para o purgatório.
Esta manhã disse: estou descrente. Com a calma das manhãs claras de sol, em que abro as janelas e me comprometo a viver com prazer. Respirei fundo. Arranjei-me como quem arranja um ramo de flores numa jarra e saí para a vida.
Ontem tomei decisões mas não fiz promessas. Não posso prometer às estrelas aquilo que não tenho para lhes dar. Mas posso partir, na esperânça de me encontrar com elas. Porque estou descrente e acredito...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ÁS VEZES, A VIDA PARECE UM FILME!

Graffiti encontrado na praia - Fonte da Telha - I
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Até onde nos pode levar a paranóia alheia?
Até onde nos pode levar a paciência, ou a falta dela?

Na semana passada, andava eu a deslocar-me pé-ante-pé, agachada atrás dos carros, junto ao meu escritório, quando ouço a minha colega perguntar-me: - Que estás a fazer? Endoideceste?
Fiz-lhe sinal para se calar e seguir fingindo não me ver.
- Pareces uma maluquinha! - Comentou, mas seguiu. Deveria parecer uma maluquinha e de facto, assim me sentia! Mas, na verdade, andava a tentar chegar ao meu carro sem ser vista por um individuo. E isto está a tornar-se um hábito.

Tudo começou no dia de São Valentim de 2010. Recebi a primeira mensagem de amor anónima. A partir daí, muitas, diáriamente, se sucederam. Fiquei intrigada e a imaginar que se tratava de uma certa pessoa. Grande filme! Enfim, nem sempre somos racionais. Porém, percebi que era impossível e acabei logo por descobrir que era um homem que vive no meu prédio e que, estranhamente me aparecia em todo o lado. Nítidamente perseguia-me para todo o lado! Um dia ligou-me e supliquei-lhe que me deixasse em paz, o que não aconteceu. Um outro dia subimos juntos no elevador e, de repente, reconheci a voz. Passei um periódo muito mau por via dele. Até hoje finjo que não sei de nada, já não falo com o vizinho, mas cumprimento-o naturalmente, para evitar que ele toque pessoalmente no assunto. É melhor assim.
Nos últimos dois meses ele não trabalha, deve estar de baixa psiquiátrica, digo eu. Portanto, sobra-lhe todo o tempo para andar atrás de mim. Se me sento num café, ele senta-se na mesa da frente. Durante as manhãs e as tardes fáz piscinas na rua do meu escritório que é pequenina, por isso, sou obrigada a deparar sempre com ele. Vou às compras e saio das lojas, ele está à porta! Vou ao Continente a um quilómetro da minha casa, sigo com o carrinho das compras e ele segue-me por entre as os corredores travessos! É um absurdo! Agora, quando saio com o cão, lá vou escondida por entre os carros e os prédios e troco-lhe as voltas, já não posso ir para o baldio! Já não posso fumar à janela, porque ele está, quase sempre, lá em baixo, de plantão, a olhar cá para cima e a acenar com a mão. Ainda por cima tem um ar tão apaneleirado! É de enlouquecer! Verdadeiramente! Quando vem para falar comigo viro logo costas. Já o tratei mal, mas não serviu de nada. Ele acha que eu lhe estou destinada, penso eu, pelo teor das mensagens!

Ontem à tarde, estava eu na praia, sózinha como gosto, num momento de pura delícia, a tirar fotografias e ouço a voz dele bem perto do meu ouvido. - A tirar fotografias às suas florinhas? Até estremeci! Quais minhas florinha! Filho da P.! Senti uma tão grande vontade de lhe dar com a máquina - que é pesada - na cabeça, uma raiva tão profunda!... Não sei como me contive! Abalei para o carro e ele foi atrás de mim. Uma praia tão grande, com tanto carro e o dele estava, precisamente, estacionado ao lado do meu! Incrível! Entrei, dei à chave, fiz marcha atrás e pedi a Deus que ele não se pusesse a jeito, porque a minha vontade, naquele momento, era passar-lhe por cima!!! Pronto, ok, exagerei! Não, não sou violenta. Mas até onde pode ir a paciência de uma pessoa? Como é que alguém pode intervir na nossa vida por forma a suscitar sentimentos tão negativos!

Mandar mensagens, não é crime. Só temos é que mudar de número.
Perseguir, sem tocar, não é crime. Só temos é de mudar de cidade. Quando muito podemos pedir uma providência cautelar de afastamento, mas é preciso suar muito até se conseguir isso.
Se eu der umas cacetadas no individuo, cometo o crime de ofensas à integridade física de outrém!
Deixo-me enlouquecer ou bato-lhe?

Ás vezes, a nossa vida parece um filme!

terça-feira, 29 de março de 2011

MAIS ESPINHOS DO QUE FLORES


Os meus pombos gostam da chuva e de chapinharem
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Tenho andado muito espinhosa! Mais do que é habitual e do que aquilo que eu desejaria! Por isso, andei isolada do mundo, quase abandonei o escritório, afastei-me dos meus amigos e perdi-me na escrita, na leitura, na música e no video-clube, estraçalhei muitos maços de tabaco, bebi algumas garrafas de vinho, e não verti uma lágrima. Isolei-me, porque, não era propriamente  tristeza o que eu sentia, era uma espécie de fúria interior, revolta, vento, tempestade. Uma miscelânea de sentimento azedados. Era como se fosse um pé sem rosa, carregado de espinhos! Quando estou triste dá-me para chorar e descansar e chorar. Mas não era tristeza o que eu sentia, era angústia! Como se tivesse um cão a ladrar incessantemente dentro mim com vontade de morder - até criei um outro blogue para poder ganir à vontade!
Tive de me isolar para combater esse raro e inquietante sentimento, para evitar ferir pessoas e de me ferir. Tudo me causava fastio e irritação. Eu era uma irritação para mim própria! Ás vezes sentia vontade de enfiar as mãos pela boca e arrancar tudo cá para fora, arrancar o coração, arrancar a alma!
É bem verdade que depois da bonança vem a tempestade e depois da tempestade a bonança e depois da bonança... é sempre assim, são ciclos. A uma fase ótima seguiu-se uma fase de sentimentos intensos a que se seguiu uma de perda e fracasso. A complexidade do nosso eu, a impossibilidade de comandarmos certos aspectos da nossa vida,  a incapacidade para nos conformarmos com certas coisas!
Mas como eu sempre digo, não sei ser infeliz, a infelicidade cansa-me, tenho vindo a recuperar a auto-estima, já pus o trabalho em dia, já pedi desculpas aos meus amigos/as, comecei lentamente a ganhar ânimo e hoje sinto-me bem, sinto-me tranquila - apesar de não ter dormido nada esta noite por via de um velório que houve mesmo em frente às minhas janelas, suei durante a noite com o edredon por cima da cabeça, quase roí as unhas por não ter tido coragem para ir fumar um cigarrito e a luz, claro, ficou toda a noite ligada! É o que eu digo, por aqui morre-se sempre nos fins-de-semana!

Deixo aqui a bela LIÇÃO DE VOO Nº 1

Não disse nada porque nada havia para dizer,
Amordacei as horas por preencher.
Não disse nada porque nada havia para dizer,
Eventualmente o peito deixa de doer.

Hoje toquei num avião sem tirar os pés do chão.

Não me deixes ver
para além de ti
não faz sentido.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

ANDO ASSIM

Não preciso de palavras, esta música fantástica descreve muito bem o meu estado de espirito hoje.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

COISAS DE GAJA


Quando estou de mal com a vida fico de mal com todos e até comigo mesma e não pode ser. Esta manhã levantei-me, dirigi-me a uma estéticista e pedi-lhe:
- Preciso que faça alguma coisa por mim (que me ajude a tornar-me numa mulher a sério, voltada para o exterior, a valorizar o fútil, a amar o visível, a mirrar as coisas da alma - pensei), ensine-me a maquilhar-me e a arranjar-me como deve ser.
Ela sentou-me numa cadeira rodeada de espelhos e produtos de beleza e começou o seu trabalho. Creme, base, anti-olheiras, blush, lápis, rímel, contorno dos lábios, baton e foi-me dizendo como é que tudo se aplicava, o porquê da escolha deste ou daquele produto. Quando acabou, olhei-me ao espelho e exclamei: “Uau! Acha que devo cortar o cabelo, trocar de penteado, pintar? E como profissional lá me aconselhou. Vim para casa com uma catrafada de produtos na mala, uma máscara no rosto e um vazio dentro de mim.
Agora sim, estou muito melhor! Olho-me de relance nas montras e gosto do que vejo. Passarei a gostar de ir às compras, do cabeleireiro, dos programas de moda e das revistas sociais. Talvez me inscreva num ginásio e passe a tomar o chá das cinco na pastelaria mais bem frequentada da zona. Estou até a pensar inscrever-me no clube profissional e ir aos almoços, jantares e convívios com os colegas e adoptar um ar de bem sucedida. Farei algumas viagens, até já marquei uma para daqui a 15 dias ao Algarve, e andarei ocupada todas as horas do dia com coisas palpáveis, talvez nem precise de escrever, tão pouco tenha tempo para sonhar.
Quero-me uma mulher a sério!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

AMIZADE


- Para que serve o amor? Senão para nos tramar o coração? Diz-me para que preciso eu do amor? - Perguntei-lhe.
- Para nada. - Respondeu ele. - Ou melhor, para te tramar o coração.
- Não estarei melhor sem ele? - Continuei a questionar.
- Possívelmente estarás. Quando é que vamos beber um copo?- Perguntou ele.
- Não sei. Agora quero tranquilidade, encontrar paz para o espirito. Preciso de sossego. - Disse eu com uma voz enfadonha e completamente estúpida.
Do outro lado, o silêncio.
- Que digo eu? Olha para mim, pareço uma velha a falar!
- Completamente!
- Completamente?! É assim que falas comigo?
- Claro. Tu não precisas de tranquilidade, tu não queres paz de espirito, vai contra a tua natureza! Sabes isso.
- Sei?
- Sabes.

Os amigos são estas pessoas especiais que conseguem por-nos a rir à gargalhada quando nos apetece chorar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

COISAS AINDA MAIS PARVAS QUE TROCADILHOS PARVOS


Vagueio pelas palavras como quem vagueia por uma cidade deserta e silenciosa. Não sei bem o que escrever, como quem não sabe que rua seguir ou que estrada atravessar. A pontuação assemelha-se a sinais de trânsito desnecessários e dispensáveis. Sigo, lentamente e sem a pressão das horas ou a marcha dos ponteiros, inertes, algures, na igreja, catedral ou relógio de sala, abandondas. Posso atrasar-me nas silabas, inverter o sentido das frases, correr por entre as consoantes, ignorar o significado e a ordem das palavras. Digo que as ruas estão vazias e dentro de mim crescem dúvidas como ervas. Depois direi que o que digo é um descampado, qualquer coisa que não chega a ser senão uma pretensão miudinha de chegar ao ponto. Ao ponto redondinho, ao ponto mais perfeito, áquele ponto que encerra todas as coisas. Já atropelei inúmeras interrogações, esbarrei com algumas exclamações e deparo com muitas reticências. Comecei por vaguear e dou por mim entre aspas! Presa nas palavras que não sabem dizer o que dizer.

sábado, 15 de janeiro de 2011

TROCADILHOS PARVOS


O amor é uma prisão sem condicional. Vamos de prisão em prisão para que a pena se cumpra. Tenho pena quando não se cumpre o amor e mesmo assim cumprimos pena. O cúmulo das penas é sempre inferior ao somatório dos totais, quando há duas penas a cumprir devendo cumprir-se apenas uma. Há prisões de qualidade onde queremos permanecer. A pena tende a ser mais extensa no tempo e mais fácil de cumprir. Dizem que há penas perpétuas. Eu não sei. Cumpro as minhas penas, às vezes com pena das penas que não cumpri.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SAUDADES

Este é, sem dúvida, o albúm que mais ouvi este ano e o que mais gostei.



Esta é, sem dúvida a melhor música/canção de 2010 e arredores.

Hoje tenho uma daquelas dores de costas e de cabeça fantásticas, melhor dizendo, fantasmagóricas, que tudo me perturba, mas é preciso viver, trabalhar, ir às compras e, porque não, escrever. Com ou sem dor de cabeça, não posso parar. Hoje ficava na cama a ouvir música, baixinho, no calor dos lençóis, a ronronar, se pudesse, mas não posso. Hoje o dia está nublado, neblinado e frio. Disseram-me que em Castelo Branco está um dia bonito e que lá só apetece passear. Era lá que gostaria de estar agora, mesmo com esta malvada dor de cabeça e costas. Estou gelada, mas o calor do aquecedor perturba-me. Esta música maravilhosa aquece-me. Andam gaivotas em redor da minha casa. É assim nos dias de chuva ou nos dias nublados, elas vêm do mar a 8 quilómetros daqui e sobrevoam as ruas. Às vezes há uma ou duas que se juntam aos pombos e aos pardais na apanha do pão. Ontem de manhã, uma delas rasou a minha janela várias vezes, por causa do pão. As asas abertas, para cima e para baixo, em circulos. Era enorme! Não encontrei a máquina fotográfica! Fiquei fula. O putou anda com ela na mochila, roubou-me o vício e a máquina. Fui buscar o telemóvel, tenho um telemóvel novo que tira fotos muito boas, mas esqueço-me disso, porque a máquina é sempre outra coisa. Mas a gaivota, entretanto, fugiu. Gosto das gaivotas nestes dias cinzentos. Gosto de ti, mais do que das gaivotas. Sabes disso, não sabes?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

DESATINO!


Esta madrugada olhei para o meu rosto no espelho e apeteceu-me partir, o rosto, o espelho ou partir para qualquer lugar. Penteei os cabelos e apeteceu-me pintá-los, cortá-los, trocá-los, comprar uma peruca. Abri o guarda fatos e apeteceu-me arrancar tudo lá de dentro e colocar no lixo. Cheguei ao escritório, olhei para as pastas, fiz montinhos com a papelada e sentei-me sem fazer nada.
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Hoje só apetece fumar. E uma ilha deserta...

sábado, 27 de novembro de 2010

SOMOS ÚNICOS, SEM DÚVIDA!


Há um lugar onde nascem os sonhos. Pensei que deveria ser no pensamento, mas estou quase certa que só pode ser no coração. Todos ambicionamos ser únicos, todos julgamos ser únicos, como no filme "Inteligência Artificial", e todos somos, efectivamente, únicos. Um dia nascemos para alguém, de uma ou de outra forma, seja em que idade for, e tornamo-nos únicos. Às vezes, as pessoas para quem nascemos únicos não o são para nós. Às vezes, não somos únicos para as pessoas que o são para nós. Às vezes, somos tão únicos que dois passam a ser um só.
Um dia nasceste para mim e percebi logo que eras especial, que eras único.
Queremos sempre uma vida inteira. Como no filme. Só queremos ser de verdade. É essa a meta suprema: ser de verdade e ser para sempre. Desde o dia em que se nasce, uns e os outros, uns para os outros. Tu para mim, eu para ti. Lembro-me, sem precisar, do dia em que nasceste e te pressenti único. Lembro-me da terra a tremer dentro mim, do mar a inundar as tripas e um curto-circuito a desligar-me, a piscar, a desligar-me. Um apagão e o recomeçar. A vida nunca mais seria a mesma! Eu só queria ser real. Eu só queria ser de verdade. Oh, fada Azul!... poderias conceder-me o desejo de me tornar verdadeira, para obter o amor do meu amado?
Queremos sempre uma vida inteira. Como no filme. Mas, no filme, um dia, um só dia, acabará por valer uma vida inteira. Depois ele adormece e vai para o lugar onde os sonhos nascem. E a nós? Bastar-nos-á um dia de verdade, um único dia!? Fechamos os olhos, adormecemos e vamos, para o lugar onde os sonhos nascem? Um único dia, em que somos especialmente únicos, infinitamente únicos?! Ou não!
Um dia eu nasci para ti. E tornei-me de verdade. Ainda não sei se me tornei única.
Um dia nasceste para mim. Para seres único e de verdade. Para mim! Oh, fada Azul!... Oh, fada Azul!...


sexta-feira, 26 de novembro de 2010


É sexta-feira à noite e não sei o que fazer!
Como foi que me desabituei de estar só, se passo tanto tempo sozinha?
Os meus rapazes foram ambos de fim-de-semana e eu para aqui perdida entre blogs e músicas, lembranças, sonhos, saudades e nostalgias!

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O AMOR


A maioria das vezes o amor desarruma-nos o coração, saca-o para fora do peito, deixa-nos à toa e à tona da vida. Ao invés, sinto que ele me arruma o coração, que mo coloca no sítio certo. Fala baixinho e paulatinamente e quando o ouço, tudo em mim sossega, como se todas as coisas fizessem sentido. E entro pela vida como se mergulhasse num lago de águas serenas.
Olho pela janela e vejo um carrinho ambulante e a dona apregoa castanhas "quentes, quentes e boas". A mulher debruça-se sobre a plataforma de metal, apoia o cotovelo, o queixo sobre a mão e o fumo atravessa-lhe o rosto de expressão triste.
Às vezes, o amor é como um pregão, "quente, quente, e bom". E esvai-se como o fumo.
Às vezes, o amor chega de mansinho, insinua-se discretamente e instala-se de forma imperceptível.
É simples como a minha figueira, alegre como os meus pardais e quando olho para ele vejo uma beleza que mais ninguém vê. E digo para mim mesma "O meu amor é lindo!" Quando me toca a folhagem abana tão estreloucadamente que até o tronco estremece.
O meu amor é feito de paz e vento. Tranquiliza-me e sacode-me.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MEDO


Há umas horas atrás tive medo. Não queria pensar senão que talvez estivesses impedido com alguma coisa inesperada. Não conseguia pensar que coisa inesperada poderia ser essa que talvez te estivesse a impedir de me atenderes o telefone ou de me ligares. Não queria pensar. E não querendo pensar, não conseguia deixar de pensar. O medo a atrofiar-me o pensamento. O pensamento a ditar-me coisas estranhas, nomeadamente que haverias de estar impedido porque haverias de ter-te cansado de mim. Sem mais nem menos! De um dia para o outro! Sei lá! Não querendo pensar que tudo é possível, sabendo que nem tudo sendo possível há coisas bem possíveis de acontecerem.
Há umas horas atrás só queria que me atendesses o telefone estranhamente silencioso. Ou que te lembrasses de me retornar as chamadas. E um medo mórbido instalou-se dentro de mim e prostrou-me no sofá, encolhida como uma pétala murcha e enrugada, caída de um vaso abandonado ao romper do outono. Qualquer coisa dentro de mim a escrever um verso triste que haveria de colar neste lugar debaixo de uma imagem nobre, escolhida propositadamente para um desfecho despropositado.
Subitamente surges-me à porta! Dizes-me que as saudades te trouxeram aqui. Deixas-me sem pensamento e sem palavras. Varres-me o medo como um vendaval. Quase me trazes as lágrimas aos olhos e o poema aos dedos.
Sei agora que não sou tão forte e tão firme como me julgo.
Agora sei como te quero. Como não te quero perder. Deveria ter-to dito. E não fui capaz!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

SOMOS PERMEÁVEIS


Ontem, quando o puto regressou a casa eu estava sentada na mesa da cozinha a comer e a ouvir música.
- Que raio de música é essa? - Perguntou. - Nem acredito que estejas a ouvir isso! - Afirmou minutos depois.
- Nem eu acredito! - Respondi-lhe.
- Aliás, se não testemunhasse, nunca acreditaria! - Reafirmou.
- Nem eu! - Disse-lhe num suspiro.
- Que rádio é essa?
- FM Romântica!
- Xiii!!! Mãe, estás doente?
- Não. É para que vejas o que a paixão é capaz de fazer connosco!
- Porra! Não, não... vou-te por heavy metal para recuperares.
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O ser humano é adaptável. Quando nos apaixonamos, coisas que nos parecem impossíveis tornam-se realidades.
Ele gosta de música portuguesa, brasileira e africana. Ele canta e encanta. Ele sabe as letras todas daquelas músicas pirosas e quando as canta para mim, elas tornam-se verdadeiros hinos! Ele ouve a FM Romântica e sintonizou-a no meu rádio. Quando ele se foi embora eu fiquei colada ao rádio a ouvir. Talvez para me sentir mais próxima dele. Para sentir menos a sua falta.
Quando nos apaixonamos começamos a ver e a ouvir doutra forma. Se calhar começamos a usar os sentidos da outra pessoa.
Ele ouviu-me falar nos Arcade Fire e, sem me dizer nada, foi procurar na net, para tomar conhecimento. Eu falei-lhe do "Lustre" do Ed Harcourt e ele agora anda com ele no carro.
Quando nos apaixonamos nós ganhamos sentidos novos e as coisas ganham outros sentidos!
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Nos últimos tempos não tenho ouvido música, a minha música, a música de que gosto. Naturalmente ando a evitá-la. Há qualquer coisa nela ou em mim, que faz doer. A música tem o dom de nos transportar para um tempo ou um lugar ou uma pessoa ou um sentimento ou um estado de alma. A vida sem música é como o meu blog sem espinhos e flores. Mas, por vezes, precisamos de um tempo sem música ou sem aquela música.