Penso e fumo. Fumo e penso,
não querendo fumar nem querendo pensar.
Mas penso-te e fumo.
Hoje estás em todo lado,
como uma sombra
que me persegue e transborda de mim,
de dentro para fora.
E hoje queria que transbordasses em mim,
de fora para dentro.
Nesta lastimável morbidez
de te pensar em pleno dia!
E o silêncio é a tua luz!
Ah! meu não amor!
Escrevo-te por nada,
sem razão alguma,
que amar impossívelmente é não amar!
É este deserto de sentir sozinha
e me perder, por ti, por tudo,
nas voltas de um dia sem rumo.
Hoje perdida,
por aqui,
na ânsia de coisa nenhuma!