quinta-feira, 17 de junho de 2010

A CONTAR HISTÓRIAS


Ela envolveu-se com individuo. O marido agarrou nos miudos e foi-se embora para poder meditar sobre o rumo a seguir. O individuo disse-lhe que gostava dela, que a apreciava, mas não sabia o queria fazer da vida dele. Ela ficou só e desesperada.
Perguntei-lhe porque o tinha feito. Respondeu-me que sempre foi uma lutadora, que sempre lutou por aquilo que queria, contra tudo e contra todos os obstáculos. Eu olhei-a com alguma pena e disse-lhe friamente:
- Isso não é ser lutadora, é ser leviana. E quando se é leviano, pode-se viver consequências muito amargas! Serias uma grande lutadora se tivesses lutado pela preservação do amor com teu marido, pela segurança da tua família e o equlibrio emocional dos teus filhos. Mas para isso precisavas de ter o discernimento suficiente para perceberes que, neste caso, o obstáculo era esse indivíduo e que era ele que deverias afastar.
Ela desatou a chorar e deu-me razão.
- O problema dos egocentricos é que só pensam neles e só veem o objecto dos seus desejos. Pensam que são lutadores por fazerem tudo para o obter, quando na verdade são uns egoístas. - Continuei.
Depois pus-lhe um prato de morangos à frente, que a infeliz pecadora há dois dias que não comia quase nada e prossegui o discurso:
- O problema das pessoas é a insensatez, a cegueira das paixões retira-lhes alguma da racionalidade. E a ti parece que te tirou a racionalidade toda! Porque haverias de pensar que esse fulano largaria a sua cómoda vida para ficar contigo? E o que é que aconteceu ao amor que tinhas ao teu marido, deitaste-o fora de um momento para o outro? E os teus filhos não mereciam alguma ponderação da tua parte? Deita-se assim uma vida na sarjeta?
Suspirei. A desolação dela estava-me a desolar. Porém, tenho este impulso de dizer o que penso e se ela mo perguntou, iria mentir?
A seguir coloquei-lhe o braço sobre os ombros.
- Mas tudo se resolve. - Disse-lhe. - Agora empenha-te ao máximo na reconquista do amor e da confiança do teu marido. Ele ama-te. E o amor tudo perdoa.
Estivemos a tarde toda a filosofar e a arranjar estratégias de reconquista.
Quando ela se foi embora já ia a sorrir. Deu-me um forte abraço. Estava confiante.
Uns minutos depois mandou-me um sms a agradecer por lhe ter ajudado a ver melhor a realidade e, de seguida, rolou estrada fora rumo aos lençóis do amante!...

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Eu bem digo: a essência das pessoas é praticamente imutável.

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Have you ever been in love - The Divine Comedy

2 comentários:

jchacim disse...

concordo... as pessoas tem por habito seguir o caminho mais facil... sera das hormonas? Tambem, nao sei... um bem haja.

espinhos e outras flores disse...

Jchacim,

É verdade, as pessoas quase sempre seguem o caminho mais fácil. Também porque parece ser mais fácil pedir desculpas do que evitar o erro.

Obrigada por apareceres.