sábado, 3 de julho de 2010

Quando o que sinto me transcende, me enfraquece, me tira o sono, o apetite e a capacidade de raciocínio... e até chega a doer...

Quando as palavras são mais do que um prazer e um vício, são uma necessidade...

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As luzes da cidade cairam sobre a água. Porque a baía entra pela cidade para, à noite, lhe colher as luzes. Esta noite a baía parece indiferente ao desassossego, tal é a serenidade das suas àguas. Corre uma brisa leve que tropeça sobre a pele. Arrepio-me. A vida beija-me. Tenho o desejo de te beijar. Penso como seria o toque aveludado, os meus lábios a entrar pelos teus para lhe colherem o sabor, uma brisa leve a transformar-se em ventania, um tornado. Arrepio-me. As luzes do palco chocam com os meus olhos. Vai começar. Lá está ele. Queres uma mini? Grita um rapaz. Ele responde obrigado e mostra uma média. Que charme! Estou com dificuldade em concentrar-me. É como se nunca estivesse em lugar nenhum senão no pensamento que sempre me leva a ti. Á minha frente uma criança acena-me, do colo da mãe. Desperto. Atrás de mim dançam e fumam charros, posso sentir o movimento e o cheiro. Dois barcos cruzam-se sobre as luzes da cidade. Uma pequena bola de sabão passa sobre mim, e depois outra e outra. Tento agarrar uma que se desfaz ao toque. Sinto vontade de roubar o brinquedo ao fazedor de sonhos, mas é uma criança e não se roubam os sonhos ás crianças. Sonho-te por entre as horas em que não faço mais nada senão sonhar-te. Canta aquela, canta aquela, grita uma rapariga, encosta-te a mim. Ele ri-se, sempre com aquele charme espantoso, e encosta-se. Brilhante! Agora deixa-me rir, canta essa. Gostava de falar contigo sobre tontarias e rir. Digo que não devemos amar alguém com quem não consigamos conversar e rir e que não ouça a mesma música. Digo sempre isso. Gostava de partilhar o riso contigo. Nunca partilhei o riso contigo. Acendo um cigarro. Uma mão agarra-me pelo braço e puxa-me contra a brisa. Vamos, já acabou. Esta noite a baía está tão bonita! Falam comigo mas nem ouço. Olho para a baía deslumbrada e interrogo-me porque estou tão incapaz de gerir as águas que me banham. Nunca te disse que te acho bonito. (Meu Deus, como eu te acho bonito!) Que olho para ti com deslumbramento e medo. (Tenho tanto medo de parecer ridícula, ainda que até o possa ser! Tanto medo que me aches um insecto estupido e feio, tanto medo de tanto!) Há uma angustia dentro de mim. E uma brisa que me abala dos pés à cabeça.

2 comentários:

jchacim disse...

A musica aqui, é super relaxante... Dizem que a música é como a matemática( já nem sei onde ouvi isso!!! ?).

espinhos e outras flores disse...

Jchacim,

A música é como a matemática? Xi!!E eu que detesto matemática,que tenho um conflito eterno com ela, que nem uma conta de dividir consigo fazer!...Tenho de usar sempre a calculadora.

Pensando melhor... talvez tenhas razão. É que também tenho um eterno conflito com as letras das músicas, nunca entendo uma palavra, tenho de usar sempre o tradutor google.
está explicado!Heheh

Beijinho