sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A CONTAR HISTÓRIAS



Em dezembro o namorado deixou-a com uma simples frase "Não me quero prender." Caíu numa depressão terrível! Chorava compulsivamente, enfiava-se na cama dias a fio e chegou a dizer-me que a vida não tinha sentido nenhum, que preferia vê-lo morto, que não aguentava mais a dor e que fazia uma asneira, punha termo a tudo! Levava a vida a telefonar-lhe, a enviar-lhe mensagens sem resposta e a escrever-lhe cartas. Inventava justificações e argumentos, dizia-me:
- Ele ama-me, mas tem medo de sofrer. Sinto que ele me ama, mas não tem capacidade para enfrentar o amor, para se prender. Eu conheço-o, tem medo de vir a sofrer.
E eu dizia-lhe:
- Tu não o conheces. Mete na cabeça que ele não te ama. Ponto final. O amor não é uma prisão. Sente-se preso porque não sente amor. É mais fácil assim, é a maneira de te libertares. Arranja outro, nada melhor que um novo amor para esquecer um velho amor.
E ela respondia-me:
- Não entendes! Eu amo-o profundamente, ele é o homem da minha vida, nunca vou deixar de o amar. Reencontrei-o vinte e oito anos depois e sei que é para sempre. Não posso viver sem ele.
- Claro que podes. O que reencontraste foi um homem que já não conheces. Durou cinco meses? Como podes saber da eternidade em cinco meses? Esquece, já morreu. Agora apaixona-te, há muitos homens à espera de se apaixonarem.
Apaixonou-se! Agora anda a rir e a cantar, os olhos a brilharem, põe músicas românticas, mensagem para cá, mensagem para lá, só falta a coisa concretizar-se. Ontem, enquanto fumavamos um cigarro perguntei-lhe:
- Que aconteceu ao teu profundo amor?
- Não sei! Tinhas razão, já nem me lembro dele! - Respondeu a rir-se. - E tu, como podes ser tão racional!?
- Uhmmmm! Incrível! Quase que te matavas por amor e afinal!... eu? Que hei-de dizer de mim? Sou um ser racional, tu própria o dizes. E não sou mais do que isso. - Respondi.
Eu sou aquilo que os outros conhecem de mim e só isso.
Eu atravesso o deserto, mas não estou sozinha, tenho o céu sobre mim e transporto sonhos no coração.

3 comentários:

comboio turbulento disse...

A paixão é como um fósforo. Mantem uma chama linda mas...acaba e por vezes....queima-nos se não largamos a tempo.

espinhos e outras flores disse...

Combóio Turbulento,

É bem verdade o que dizes. Mas haverá coisa melhor do que a paixão? esse desassego em fogo? Talvez o tique-taque certinho do amor? Não sei! Quando o sentimento é mútuo é maravilhoso,cuidado com o incêndio! quando se apaga de um dos lados o que queima e faz ferida é o rescaldo!
Enfim, apaixonemo-nos, amemos, queimemo-nos, sintamos a vida a pulsar. Só assim é que faz sentido.

comboio turbulento disse...

Concordo completamente. Somos os pirómanos masoquistas que adoram viver a chama dos fósforos. E mesmo que saibamos que eles chagarão ao fim, juramos naquele momento que será para sempre :)