sábado, 3 de janeiro de 2009

DEAMBULAÇÕES II


Dizem que o silêncio, perante uma rejeição, é sinal de elegância! Pensando bem: será, certamente. Mas retirarmo-nos em silêncio, não só será um sinal de elegância, como também de inteligência. Acho eu. Na verdade, nem sempre temos o discernimento necessário para meditarmos numa situação de rejeição. Não se apela à elegância ou à inteligência. Agimos conforme a nossa natureza.
Dizem que rio em demasia! Todavia, também dizem que faço um uso exagerado dos silêncios! Depende das situações e das pessoas.

Há em mim um receio exagerado de ser rejeitada e que me encaminha para o silêncio. É por isso que, normalmente, só arrisco onde encontro possibilidade de ganhar (onde o risco me parece pequeno). E, ainda assim, são muitas as vezes que perco.
Mas também há um impulso natural para a loucura. E há pessoas que desenvolvem em mim uma das facetas ou a outra, ou ambas.
Prefiro, sem dúvida, o meu lado divertido, atrevido e sem limites. Porque esse é também aquele em que solto as rédeas ao animal, tiro o açaime, dou-lhe trela e, valha-nos Deus... e é quase sempre este lado que me deixa memórias eternas.
Acontece que o lado silêncioso é, tão só, aquele que me prende por insegurânça ou precaução. Porque às vezes é preciso. E é preciso porque sim. Porque a vida também se faz de mistérios e contrários. E não podemos esperar que o destino nos explique, simplesmente, porque razão em determinada altura da nossa vida, nos sentimos atraídos por polos opostos. Como se quisessemos (inconscientemente), juntar o verão e o inverno. Que coisa maravilhosa essa! Não de todo impossível! Mas, contudo, bastante incerta! Porém, bem sabemos que verão e primavera ou outono e inverno, são meras estações. Quer juntemos umas ou outras, elas sempre hão-de acabar. Também são renováveis, é preciso não esquecê-lo.

Posso parecer uma péssimista. Considero-me uma realista. Já vivi o suficiente para poder dizer que continuo a creditar na vida. Só preciso de saber fazer uma clara distinção entre sonho e realidade. Sem, por isso, deixar de sonhar ou de viver. Reconheço-me capaz de viver. Também de transformar sonhos em realidade. Ou de os apagar simplesmente. Mas o que prefiro, é sem dúvida, de misturar sonhos e realidade. Porque uma só estação não encerra todo o interesse. É necessário misturar calor e frio e encontrar o ponto morno.
Que vida se pode chamar de vida, sem desiquilíbrio? Quem não tem os seus segredos? Sim, aqueles segredos que jámais se ousará contar? Não há vidas que sigam em linha recta. Nem discursos coerentes, que não se percam. Perdi-me! Pura e simplesmente, perdi-me no discurso! E, contudo, acho que sei onde queria chegar. Mas nunca chegarei lá!

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Valentine - Richard Hawley



4 comentários:

comboio turbulento disse...

o mais difícil de gerirmos são os silêncios. por isso os enchemos, por vezes, de palavras sem sentido, apenas por sentirmos que temos de fazer algo com eles.
Ri-te e silencia-te wherever you want e mando-os...

espinhos e outras flores disse...

Os silêncios são terríveis, não são? E quando os nossos silêncios nos magoam mais que os silêncios dos outros? E aquelas palavras que se dizem carregadas de silêncios!...
Ai porra! Não sei se me cale, se me ria.
Beijinho

Anônimo disse...

Mais um ano, mais uma torrente de palavras, as tuas, certas!
Revejo-me tanto no teu texto que me arrepio, uff, a verdade, verdadinha, é que num mundo como o nosso, cheio de segundas ideias, para não lhes chamar intenções, reservo-me no silêncio. Francamente até gostaria de ser mais silêncioso, por vezes, em demasia, o meu barulho incomoda-me mais que o dos outros. Adorava no entanto entregar-me às minhas sonoras gargalhadas. Mas, por vezes lembro-me do filme Alfie com o Jude Law, e recordo a cena da passagem de ano...

Obrigado pelas palavras, as tuas, continuo religiosamente a procura-las. Obrigado, muito!

Estupendo 2009, é o meu desejo.

Xeltox

espinhos e outras flores disse...

É verdade, mais um ano!
"Poetry and Human Feelings"... vieram-me umas saudadesitas, sabes... às vezes ainda vou lá espreitar!

Esse filme é mesmo para não esquecer, uma lição; eu recordo-me muitas vezes da cena em que ele vai com o ramo das flores e ela... enfim...

Eu é que agradeço, pelo sorriso que me puseste na cara.
E desejo-te um maravilhoso 2009, com muitas gargalhadas, imensos sorrisos e um uso moderado dos silêncios.
Bj.