sábado, 23 de abril de 2011

O AMOR NÃO TEM MISTÉRIO ALGUM


Um dia o amor traiu-a. O amor traiu-a e ela não soube perdoar o amor. Arremessou-o para longe. Como quem solta um balão cheio de gás, bem sabendo que este amor jámais voltaria às suas mãos. Passou a vaguear pelas ruas,  pelos dias, pelas noites, pelas madrugadas. Não dormia, simplesmente andava, andava ao acaso. Muitas vezes atravessava a estrada estonteada, sem olhar, podendo ser que, por sorte, um carro sem travões lhe passasse por cima. Que a vida já a havia atropelado, mas via-se obrigada a respirar,  a suportar aquela morte lenta  e agoniada do coração. Certa vez, um condutor atrapalhado chamou-lhe louca, bem alto, no meio da avenida. Ela agradeceu-lhe e voltou para casa. Dormiu profundamente nos dias que se seguiram. 
Soube, então, que não se morre de amor, nem pelo amor. O que morre, é o amor. Que não é a vida que dói, mas aquilo que passa a faltar nela. A desilusão que sentia não era pelo outro, mas por si mesma. O outro era aquilo que sempre fora, ela é que havia criado um outro diferente. Porém, a maioria das pessoas são tão óbvias quanto as marés ou as estações do ano, não fosse a ilusão e a vida seria mais fácil. E menos encantadora, também.

Ainda assim, depois de tudo o que aprendeu, o amor continuou a atraí-la e a traí-la!

E, mesmo assim, ela continua a acreditar no amor!
Diz que quando o amor a traiu pela primeira vez, se desfez para sempre o mistério, é que o amor não tem mistério algum, o amor é o amor e é preciso arriscar tudo por ele.
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Nyc Moves To The Sound Of La - Funeral Party