domingo, 3 de abril de 2011

PENSAMENTOS DISPERSOS

O pombo indiferente ao voo das gaivotas
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Ontem uma amiga pediu-me para a acompanhar na visita a um apartamento, com o propósito de compra. Há muito que o casamento está falido, atingiu aquele nível de agressividade em que só já falta um degrau para atingir o ódio e o amor, ou aquilo que resta dele, se transformar  num animal raivoso.
Apartamento luxuoso, bonito, com apenas um quarto, sala, cozinha e wc, pelo preço de € 145.000,00. Era lindo, mas pequeno e caro. Ela ficou encantada e a fazer contas à vida para aferir das suas capacidades económicas. Não é demasiado pequeno? Muito luxo e pouco espaço? Onde vais meter os teus filhos? Respondeu-me que os filhos ficavam com o pai. E como vais contribuir para o sustento deles? Respondeu que o pai ganhava muito mais do que ela. Que não podia descer de cavalo para burro, sair duma vivenda de sonho e meter-se num apartamento rasca. Já sabia, há muito que repete a mesma história. E, então, perguntei-lhe onde iriam ficar os miudos nos dias em que estivessem com ela, onde dormiriam, que espaço lhes reservava. Disse-me que não queria pensar nisso, poria um beliche em qualquer lado, logo se veria, tinha era de pensar nela e resolver a sua vida. Fiquei perturbada. Como pode uma mãe dissociar a sua vida da vida dos seus filhos?
O que foi? Perguntou ela. O que foi?! Perguntei eu.
Com tanto apartamento razoável e com preço mais acessível, onde pode ter um quarto para cada um dos miudos, criar-lhe um espaço próprio com privacidade, para que possam desenvolver a sua própria identidade e esta mãe só pensa nela, só pensa na decoração, no seu cantinho de luxo! Que materialismo!
Ficou ofendida comigo, as lágrimas vieram-lhe aos olhos e disse-me: isto não é materialismo, é idealismo. No meu ponto de vista, o ilealismo é algo subjectivo que se prende com a fantasia - sonhamos o que idealisamos lutamos pelos nossos ideais com vista a torná-los realidade na medida do possível. Se sonhamos com bem estar físico descurando o lado emocional, arredando aquilo que é essencial a qualquer ser, os filhos, o dever de lhes proporcionar um crescimento saudável física e emocinalmente, estabelecer harmonia entre o físico e o espiritual, para que possam tornar-se adultos estáveis e equilibrados com fortes conceitos familiares e socias...
É puro materialismo! Todos nós idealisamos casas bonitas, bons carros... etc. E cada um deve procurar viver o melhor dentro das suas possibilidades mesmo tendo os seus ideais.
Zangou-se comigo. Mas, mais tarde acabamos a tomar um café juntas, com um ar um pouco pesado, como o tempo. Somos amigas. Ás vezes fico com os filhos dela e sinto uma pena imensa deles, não sei bem de quê ou talvez saiba.
Somos todos diferentes uns dos outros e cada um vale o que vale. Tenho dificuldade em entender esta mulher! Esforço-me. Aceito-a, apesar de andarmos sempre às turras.
Mas penso que cada um vale o que vale não por aquilo que mostra cá fora, mas por aquilo que guarda lá dentro, não pela casa que tem, mas pelos sentimentos que revela.

2 comentários:

jchacim disse...

Ola... Continuo a gostar dos teus textos, deveriam ser lidos por algumas pessoas que eu conheço... sim, o materialismo fortalece o egocentrismo e isola as pessoas... na realidade, também, aniquila familias, sera um dos culpados desta crise?

Cumprimentos

É verdade, mudei o endereço e o nome do meu website !!! noEnigma em : http://www.noenigma.com/

espinhos e outras flores disse...

Jchacim,

Bem vindo! Obrigada pelas palavras.

Há coisas que não compreendo, ultrapassam-me! Tenho o mau hábito de deixar transparecer, ás vezes de não calar, o que penso ou o que sinto e isso acaba por magoar as pessoas de que gosto, mas sempre me esforço para aceitar as diferênças.
É por isso que mantenho este espaço tão reservado, tão distante das pessoas que me cercam, a fim de poder desabafar um pouco sobre coisas e pessoas diversas, sobre as minhas vivências.

já dei uma vista de olhos no teu espaço novo. Mas requer tempo e atenção. Irei assiduamente.

Bj.